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Esperanças e caminhadas...
Nos dias de hoje o povo brasileiro tem caminhado em silêncio. Houve um tempo em que a esperança o acompanhou, mas hoje esse povo caminha sozinho. Cada um de nós fez esse percurso, de andar por novos caminhos, uns em épocas notáveis da nossa história, outros em épocas mais recentes. Mas de toda forma, vemos nas pessoas hoje em dia, a descrença, a desilusão e uma sensação de desorientação. Hoje os brasileiros, mais conscientes politicamente. se sentem como tijolos abandonados numa construção que nunca saiu do papel. A sensação é amarga, mas indica o caminho a seguir.
Figuras notáveis da política, que algum dia deram voz para a esperança de dias melhores e de uma nação que realmente brilhasse no cenário mundial, caíram junto com suas máscaras. Suas pregações de novidades e ética política revelaram-se apenas palavras de distração, premeditadas para fazerem tudo o que haviam condenado quando chegassem ao poder, no lugar de velhos coronéis do congresso nacional, que por hoje merece ser escrito em letras minúsculas.
Os partidos tradicionais, que eram seus alvos, por pouco tempo amargaram a derrota nas urnas, pois logo foram convidados pelos novos donos do poder a tomarem posse na distribuição e loteamento de cargos públicos, já que uma das visões desses novos arrendatários, o poder se tornava mais sólido com a amizade dos antigos desafetos, que por sua vez viam que beijar a mão de quem os esbofeteara pouco antes era lucrativo.
Ao povo, sentindo a solidão nas ruas, abandonado pelos que desfraldavam bandeiras, prometendo reformas nunca vistas na história política brasileira, restou apenas o amargor de ver sonhos destruídos e esperanças sufocadas na velha prática política do adesismo e do alpinismo social a qualquer preço, onde as consciências eram apenas troco pela vendas das almas. O povo virou as costas a esses enganos e prossegue ainda com esperanças em seu coração, mesmo que em silêncio. Quanto as que venderam suas almas, coisa de péssima qualidade tinham a vender, para compradores que acharam bom negócio comprar ferrugem a preço de ouro.
Porém o preço dessa ferrugem, quem pagou foi o povo brasileiro, que vemos hoje desvalido, em extremos de miséria disseminada envolvendo condomínios de luxo e seus moradores, que ainda acham um bom negócio viverem assustados atrás de muralhas e andarem nas ruas em carros blindados. Ocasionalmente, um deles cai vítima de tudo isso, mas continua sendo um bom negócio. Para a aristocracia francesa era um bom negócio ser amiga do rei, até caminharem para a guilhotina, sem entenderem o que afinal tinha dado errado.
Ao restante do povo, que se apinha nos grandes centros, amontoado em ônibus sufocantes por horas, indo para seus empregos, eternamente enfileirados na porta de hospitais públicos, de prédios de escolas em épocas de matrículas ou nos meses e anos que passam num saguão da previdência vendo indeferido o pedido de aposentadoria, enquanto vêem a mais nova e risonha entrevista de algum político envolvido em mais um caso de corrupção, resta a sensação de que, em definitivo, esse estado de coisas tem que terminar, seja de que forma for, pelos meios que forem necessários. Já há um consenso silencioso sobre isso. Tão silencioso quanto uma represa prestes a se romper.
Mas nada incomoda a velha e tradicional escola política brasileira, que em sua secular ganância, corrupção e desprezo pelo povo e pela nação brasileira, pouco se importa com o que é novo, com o que revoluciona, com o que muda e transforma uma nação de forma definitiva. Mudanças como essas que a história do mundo registra, onde governos caem e estruturas sociais mudam ao custo de um choque militar, para essa velha confraria de coronéis políticos é algo tão distante quanto o povo que dizem representar, é uma coisa tão fantasiosa quanto as promessas de que fazem, como as verdades que fingem defender em seus partidos.
Tem a nação brasileira ainda, apesar do seu silêncio, da sua aparente inação, forças que mais cedo ou mais tarde acabarão por serem libertadas. E as mudanças que irão fazer serão feitas pela força, pela força que silenciosa se esconde atrás da imensa massa de água que força as paredes da represa que a segura, enquanto trincas e brechas surgem junto com os estalos da imensa estrutura condenada.
Tem mais essa nação para oferecer ao mundo do que se pensa. No sentido de amplas transformações humanas e políticas, após um período que será tenso, conturbado e violento, como o é todo período em que uma nação se transforma. Mas isso pouco importa. Coisas assim fazem parte da experiência do desaparecimento de uma existência social que dá lugar a outra, como ela deve ser, correta, progressista e acima de tudo, justa para o seu povo.
Realmente digna da alvorada de uma nova civilização.
Vellker - 27.06.08 - voltar para A_ÍNDICE GERAL 3
criado por Vellker
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