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Bicicleta e salto alto é isso aí...
Por esses dias um insólito fenômeno abalou a disputa eleitoral pela prefeitura da cidade de São Paulo. Caiu de forma estrondosa a máscara que Marta Suplicy sempre usou de defensora dos pobres e das minorias, desde os tempos em que começou a ganhar notoriedade apresentando-se dessa forma como a conselheira que anunciava novos tempos no extinto programa TV Mulher da rede Globo na década de 80.
Hoje revelada em uma espécie de arrivista política que se pinta com tintas de modernidade e tolerância, Marta cometeu um pecado imperdoável e uma grosseria inacreditável ao tentar colar de forma sutil em seu adversário Gilberto Kassab, um solteirão dos mais tranqüilos, a suspeita de que sua solteirice talvez seja coisa das mais suspeitas e condenáveis.
Em uma recente propaganda eleitoral veiculada pelo PT e já retirada do ar tamanho foi o desastre de sua veiculação, torna-se impossível acreditar que Marta não soubesse que o anúncio ia ser transmitido. Falando de Kassab uma voz perguntava se o eleitor o conhecia, se ele era casado, se ele tinha filhos e deixava a interrogação maldosa no ar. No dia seguinte até mesmo os petistas mais ferrenhos condenavam a propaganda que fora feita e que realmente é das mais desprezíveis. Tendo agregado em volta dela os movimentos de gays e lésbicas e sempre tendo dado apoio à parada gay de São Paulo, Marta ao deixar esse anúncio ir ao ar revelou-se enfim uma intolerante, digamos assim, enrustida, que sempre aproveitou a simpatia do eleitorado gay para ficar em vantagem. É o mínimo que se pode pensar.
Se Marta admitir que seu próprio comitê de campanha faz as propagandas que mais lhe interessam e ela só fica sabendo por último, admite que sendo incapaz de controlar até seus marqueteiros será apenas uma marionete na prefeitura da maior cidade do país. Se admitir que sabia do anúncio e o deixou ser veiculado fica na triste situação de admitir que sim, sempre foi preconceituosa e se fez de amiga dos grupos e minorias que sempre fingiu defender porque isso lhe era vantajoso. Parece que para Marta não restam muitas saídas. Ou admite em público que sempre usou uma máscara ou concorda que é só um mero boneco de cordas do seu próprio partido.
Em todo caso fica para o eleitor a impressão de após aprovar a administração de Gilberto Kassab, dando-lhe maioria no primeiro turno pois ele conseguiu melhorar muitas coisas na conturbada cidade de São Paulo, tornando melhor a vida para o eleitor que hoje o recoloca no cargo com seu voto, a opção mais correta é mesmo recolocar o atual prefeito no cargo. O eleitor demonstra que não lhe interessa a vida pessoal de Gilberto Kassab, que além disso é discreta e mesmo tendo errado ao brigar com um cidadão numa inauguração, Kassab depois em público manifestou seu arrependimento pelo acontecido e procurou apaziguar os ânimos. Enquanto isso o eleitor mostra que lhe interessa um administrador de fato e de verdade.
Na seqüência de tudo, Marta Suplicy recebe do eleitorado uma decidida condenação com sua porcentagem de votos caindo dia a dia. O que os eleitores paulistanos de nascença e os que adotaram São Paulo até hoje se lembram com raiva é da sorridente Marta Suplicy, que com o ministério do Turismo na mão riu e escarneceu da situação dos milhares de brasileiros que sofriam com a crise do transporte aéreo que deixou marcas até hoje. Enquanto passageiros e funcionários das empresas se confrontavam, aviões sumiam e famílias passavam dias nos aeroportos, Marta Suplicy em vergonhosa atitude tripudiou dos passageiros ao dizer sorridente que o brasileiro devia esquecer daqueles problemas porque depois ele chegaria numa praia e ai, segundo as suas palavras da época: Relaxa e goza porque você vai esquecer dos transtornos. E dizia isso sorrindo, pronta para embarcar num jatinho privativo do governo federal. Hoje, seguindo o conselho da própria Marta, o eleitorado prefere esquecer dela na intenção de voto.
Tropeçando no salto alto que sempre usou em sua campanha e com a máscara quebrada no chão, Marta Suplicy caiu e feio da bicicleta na rua das eleições e com certeza ao ler as últimas pesquisas de intenções de voto, já pensando nas explicações que vai ter que dar no próximo debate na televisão, ela nem relaxa e nem goza.
Silencioso em seu canto e agradecido ao eleitor, Gilberto Kassab mais do que nunca tem as ruas de São Paulo abertas para ele, na certeza de que ao estender a mão para o eleitor, é correspondido com sinceridade e sem preconceitos.
Vellker – 15.10.08 – voltar para A_ÍNDICE GERAL 3
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