BILOGUE DE TEXTOS, IDÉIAS E IMAGENS.

Textos sobre temas diversos e imagens, tudo o que pode ser escrito e anotado após uma conversa com os amigos. Apesar do calor de algumas discussões, expor idéias, debater pontos de vista, porém sem inimizades. Vellker - (vellker@bol.com.br)

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Terra Blog

21.07.08

P59_A sala de troféus

categorias: P_POLÍTICA

África, caçadas, troféus e entrepostos comerciais...  

 

Com a chegada de Salvatore Cacciola ao Brasil, mais uma vez, nós brasileiros caímos em vergonha frente a nós mesmos e aos jornalistas do mundo todo. É pouco animador, para não dizer desesperador o fato de que o juiz do STJ, Humberto Gomes de Barros, concedeu a um homem que lesou a nação brasileira em mais de 1 bilhão de dólares, a garantia de não ser algemado ao pisar exatamente no solo da nação que ele roubou e onde foi condenado a 13 anos de prisão à revelia, por ter se aproveitado de um Habeas Corpus e fugido no ano 2000, depois da fraude no Banco Marka. Ainda mais quando feitas as contas com juros e correção monetária, o Brasil foi roubado em mais ou menos 5 bilhões de dólares.  

 

No entanto, no caso da justiça brasileira, juros e correção monetária, fazendo uma comparação, para esses criminosos que não só roubam bilhões de dólares como sabem o nome de todos os envolvidos que ainda não apareceram, as contas para a aplicação de penas e agravantes para eles tem uma contagem de juros que é calculada para menos, ou seja, quanto mais tempo passado foragido, com mais regalias e vantagens são tratados. Na chegada no aeroporto, dava para ver no sorriso de Salvatore Cacciola a certeza de que desembarcar preso no Brasil é apenas um mero contratempo, a decisão do juiz Humberto já mostra isso. Ele já deve estar pensando em quando será seu retorno para a Itália e deve ter retirado Mônaco em definitivo da sua lista de viagens. 


Enquanto suporta apenas para fazer teatro o passageiro aborrecimento de estar numa cela especial, paga pelo contribuinte brasileiro com o dinheiro que ele mesmo roubou, talvez na cela haja algum jornal velho, onde ele possa ler sobre a mulher que furtou um pote de manteiga de 3 reais e por isso passou 5 meses na cadeia, até que foi libertada. Sem dúvida o sorriso de Cacciola deve se abrir novamente por se saber mais do que nunca um privilegiado e amigo dos privilegiados. Rouba o Brasil em 1 bilhão de dólares e no fim se sai bem, a perigosíssima mulher rouba 3 reais e termina presa por por 5 meses. Se for para seguir o ritual de uma justiça que considera uma brasileira que rouba um pote de manteiga de 3 reais merecedora de prisão sem recurso por 5 meses, a que pena sem recurso deveria ter sido condenado um estrangeiro que cometeu uma fraude de 5 bilhões de dólares em nosso país?
   

 

Triste realidade do nosso país, das nossas cortes judiciárias, hoje transformadas em meros entrepostos comerciais, onde desaba por completo a farsa da constituição de 1988, que aliás foi criada pelos privilegiados de Brasília para consolidar de forma definitiva seus obscenos privilégios, extensivos ao seleto grupo de amigos, mas de forma alguma para fazer justiça ou ser de fato uma constituição, com toda a dignidade que esse nome nos traz. Sendo aliás uma negociata de privilégios com a qual o velho vigarista eleitoral Ulysses Guimarães pretendia alavancar suas pretensões à presidência da república, ela torna-se hoje uma espécie de manual desses modernos entrepostos comerciais jurídicos, na exata semelhança dos que existiam em países colonizados, como o Congo Belga, onde sob as ordens do rei Leopoldo os belgas tinham privilégios absolutos sobre a imensa massa de africanos colonizados.

  

Como outro triste exemplo dessa situação, temos a história do domínio colonial inglês na Índia, onde mandava o vice-rei britânico Lorde Curzon, editando leis da colonização britânica, que distinguia claramente os indianos dos britânicos, sendo que estes literalmente mandavam nos tribunais indianos, arrancando deles as decisões que mais lhes agradavam. Os dominadores britânicos eram cidadãos acima das leis, feitas para eles e somente em seu benefício. 

 

Hoje Salvatore Cacciola, no seu passeio pelo Brasil, enfrenta apenas um contratempo. Na semelhança de algum europeu do século passado que passa por alguma febre passageira e inesperada em algum animado safári nas savanas africanas, poderá em breve o caçador Cacciola, de volta para sua casa na Itália, mostrar para seus amigos em sua casa, a cabeça da justiça brasileira, devidamente empalhada, como um exótico tapete da sua sala de troféus.  

 

Admirados seus amigos perguntarão se ele não teve medo do tigre. Ele dirá que desse daqui não, mas o tigre de Mônaco, esse morde mesmo, aliás por lá, ele dirá que nunca mais volta. Prefere caçar mesmo o tigre brasileiro. 


Matérias a verificar: 
Salvatore Cacciola volta sem algemas 
Mulher furta pote de manteiga e vai presa  


Vellker - 21.07.08 - voltar para A_ÍNDICE GERAL 3 

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