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Escritos e leituras...

Nos espaços como este, onde várias idéias são expostas, podemos ver que na maioria das vezes nem tudo é tão fácil de ser escrito ou de ser lido. Me refiro à presente situação em que vivemos. Impossível nos dias de hoje no Brasil, qualquer pessoa, com um mínimo de pensamento político se tornar insensível a tudo o que vivemos. Como povo, temos sido expostos a um mar agitado, onde perigamos mesmo naufragar.
Basicamente a política se torna o alicerce de tudo nos momentos mais prementes da vida nacional. E política, como não poderia deixar de ser, ao mesmo tempo em que exige razão, se torna árida e sem vida se ao mesmo tempo não for carregada de emoção. Emoção muitas vezes avassaladora, que nos traz lágrimas aos olhos. Eu diria que no ser político, emoção e razão se alternam de uma forma muito mais intensa.
Quem expõe suas idéias nos dias de hoje encontra uma dificuldade ao escrever. Por vezes magoa outras pessoas. Por vezes escreve sabendo que isso é apenas uma das conseqüências de escrever denunciando, falando do que vê de errado, procurando demolir com suas palavras, estruturas políticas e judiciárias que ainda subsistem no Brasil atual, mas que envergonhariam até mesmo o mais atrasado barão medieval.
E quem lê certas opiniões expostas, sente-se afinal reconfortado em saber que outros pensam como ele. E se a denúncia de quem escreve for vigorosa, destruidora mesmo, outros que lêem podem se sentir ameaçados ou pior do que isso, desmascarados. Essa é uma das facetas dos escritos políticos.
Esclareçamos uma coisa. Escrever sobre política pressupõe uma análise, como já disse, ao mesmo tempo racional e emocional do que vemos e vivemos no contexto povo e nação. A origem da palavra política, que vem de “Polis” em grego, que significa cidade, traduz essencialmente a idéia do administrador da vida de uma nação, que se porte da melhor forma possível, com honra, coragem e lealdade para defender seu povo e a segurança da nação. Na visão política enxergamos dessa forma o trabalho dos três poderes, executivo, legislativo e judiciário. Se um deles age contra o povo, é pela conivência ou cumplicidade dos outros dois. Por isso, com as coisas que vemos no Brasil de hoje, é impossível escrever sem exaltar sentimentos a favor ou contra o que é dito. E mais impossível ainda é não ficar exaltado frente a tantas injustiças, a tantos crimes cometidos contra o povo brasileiro. Nesse cenário, existiria algo mais pobre e falso, mais gélido e sombrio do que aquele que escrevesse procurando contentar a todos, prestando reverências em seus escritos a quem defende a nação e ao mesmo tempo mostrando-se servil em palavras a quem vive de trair o seu próprio povo? Na nossa mente, numa espécie de tribunal da consciência, somos juízes que sentenciam a favor do que é justo. Quem não o faz, não está do lado da Justiça, está a serviço do que é injusto.
Acreditamos amar esse povo, essa nação, esse Brasil de tantos povos e que tanto pode oferecer numa nova civilização ao mundo, mostrando sua visão de humanismo, justiça e correção. Um povo por hoje ainda desvalido, mas repleto de vitalidade, prenuncia uma nova cultura, uma nova forma de ver o mundo e o ser humano, resultado de todas as culturas e raças que aqui encontraram seu lugar. À primeira vista, nada aparenta isso, mas nada aparenta os diamantes que se escondem no leito de um riacho. Temos que ser garimpeiros desses diamantes do sentimento, descobridores dessas pedras preciosas de um futuro cintilante.
Mais do que nunca, se quisermos ajudar a combater todas as injustiças que são cometidas contra nossa nação, todos os maus tratos que sofre nosso povo, não temos outra alternativa a não ser agir, na medida em que estiver ao nosso alcance contra tudo isso que nos torna tão infelizes. Por pouco que seja, escrever já é uma forma de fazer isso. Na medida em que nossa razão se tornar mais tomada pela emoção, outras formas surgirão.
Devemos lembrar agora o que disse Martin Luther King há muito tempo: “A grande tragédia não é a crueldade praticada pelos maus, mas o silêncio por parte dos bons sobre isso.”
Na medida das nossas possibilidades, devemos fazer de tudo para denunciar e lutar contra tudo o que é injusto e errado. Devemos ter a certeza de que mesmo colhidos por forças que não pudemos controlar, talvez tenhamos a oferecer somente o silêncio dos inocentes, mas nunca o silêncio dos cúmplices.
Vellker - 05.07.08 - voltar para A_ÍNDICE GERAL 3
criado por Vellker
18:55:10