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Cantar com a coragem, caminhar com a Justiça...
Após uma semana tormentosa, onde finalmente num caso de grande repercussão vimos o quanto a injustiça e a desonra hoje atormentam a sociedade brasileira, mais ainda nas grandes decisões judiciais, meditando sobre todos esses fatos me lembrei da canção de Geraldo Vandré, “Prá não dizer que não falei das flores” que foi escrita em 1968.

Escrita há tanto tempo, apesar de ser apenas o cantar de um poeta, expressou sentimentos sufocados. Revi sua letra e sob a luz de tudo o que aconteceu nesses dias de julho de 2008, reescrevi algumas palavras. Peço perdão ao poeta, mas em tempos difíceis, reescrita em protesto contra a aura de uma falsa liberdade e de uma democracia de hipocrisias, a palavra muitas vezes mostra o que sentimos e o que vivemos. As alterações que descrevem os tempo que hoje vivemos ou melhor sofremos, estão sublinhadas. Assim deixo a canção reescrita aqui:
Prá não dizer que não falei das flores
(Reescrita em 11.07.08)
Caminhando e cantando E seguindo a canção
Somos todos iguais Braços dados ou não
Nas escolas, nas ruas Campos, construções
Caminhando e cantando E seguindo a canção...
Vem, vamos embora Que mentir não é viver
Quem sabe faz justiça Não espera acontecer...
Pelos tribunais há injustiça em tristes decisões
Pelas ruas marchando sofridos corações
Ainda fazem da justiça Seu mais forte refrão
E acreditam na Verdade Vencendo a desilusão...
Vem, vamos embora Que mentir não é viver
Quem sabe faz justiça Não espera acontecer...
Há juízes envergonhados Amados ou não
Quase todos perdidos De almas na mão
Nas escolas lhes ensinam Uma antiga lição:
De vencer pela mentira e julgar sem razão...
Vem, vamos embora Que mentir não é viver
Quem sabe faz justiça Não espera acontecer...
Nas escolas, nas ruas Campos, construções
Somos todos juízes Corajosos ou não
Caminhando e cantando E seguindo a Razão
Somos todos iguais Braços dados ou não...
A verdade na mente A Justiça no coração
A certeza na frente A história na mão
Caminhando e cantando E seguindo a Razão
Aprendendo e ensinando Uma nova lição...
Vem, vamos embora Que mentir não é viver
Quem sabe faz justiça Não espera acontecer...
Cada tempo tem seus juízos, suas imagens. Vivemos esses de tristes juízos e pobres imagens.
Mas a nossa capacidade de indignação pode trazer tempos melhores.
Matérias a verificar:
O caso Daniel Dantas
Prá não dizer que não falei das flores
Vellker - 14.07.08 - voltar para A_ÍNDICE GERAL 3
Roteiros da vida real...
Continuam os acontecimentos que mostram como a vida imita a ficção. Em certos casos não se distingue uma da outra. Um dos grandes filmes sobre embates jurídicos é “Uma Questão de Honra” onde o comandante de uma guarnição dos fuzileiros navais americanos é chamado para depor num julgamento. No quartel sob seu comando um soldado havia morrido e dois fuzileiros eram acusados da morte dele.
Inicialmente visto como inocente, sua situação se complica quando o oficial advogado dos dois fuzileiros que haviam agido sob as ordens dele percebe que o comandante era afinal culpado. Por suas ordens havia sido aplicado um castigo físico no soldado que ele não gostava e que resultara em sua morte. Conseguindo deixá-lo exasperado no tribunal com uma argumentação hábil, conseguiu o advogado fazer com que o comandante se descontrolasse e admitisse aos berros, que sim, havia mandado aplicarem no soldado o castigo e faria isso novamente se achasse necessário. Imediatamente recebe voz de prisão e sai do tribunal para um presídio militar. Os dois fuzileiros, ainda sob o choque do acontecido e em lágrimas são culpados também, porém em menor grau do que o comandante, que havia tentado passar toda a culpa para eles. Eles só haviam cumprido ordens.
Nos dias de hoje, coisa incrivelmente parecida aconteceu no caso dos três jovens entregues pelo Tenente Vinícius Ghidetti aos traficantes do Morro da Mineira, de uma facção criminosa rival do Morro da Providência, onde tropas do Exército faziam a segurança de obras para os moradores e onde os três jovens haviam sido detidos pelo destacamento do tenente por desacato. Durante as primeiras audiências esfumaram-se as versões mais variadas de testemunhas misteriosas, que mais videntes do que testemunhas haviam dito a jornalistas, se é que disseram mesmo, que os rapazes haviam sido vendidos por 60 mil reais. Sabiam até mesmo dos detalhes do que fora dito ao telefone pelo militares na suposta conversa com os traficantes, porém nenhuma delas apareceu no tribunal. Tudo leva a crer que isso foi inventado em algum lugar. Nada disso surgiu nos depoimentos. Apareceu tão somente o trágico erro de avaliação e de conduta de um oficial, que descontrolado pelas ofensas que recebeu cometeu um erro, que de certa forma lhe custou a vida toda que ainda tem pela frente. Para o tenente aquilo era apenas um corretivo, um bom susto que os rapazes iriam passar. Para os rapazes, foi a condenação à tortura e morte, como aconteceu. E a isso foram entregues pelas ordens de quem deveria ter relevado o que aconteceu e deixado os rapazes na delegacia mais próxima.
No tribunal, frente aos juízes, com os depoimentos dos seus comandados que alegaram ter cumprido ordens, que não sabiam ao certo o que acontecia, que tudo segundo diziam seria apenas um corretivo, que seguiam as ordens do tenente que havia explicado o caso ao capitão do quartel, embarcaram nos caminhões e levaram os três jovens que imploravam a eles que não fizessem isso. E assim os três foram entregues e mortos. O que todos nós vimos nos noticiários, foi o tenente Ghidetti, finalmente tendo idéia do que havia feito, aos prantos, não suportando mais a pressão de tudo. O fato de ter sabido do destino dos rapazes, de ter levado seus comandados para essa situação, de ter exposto o capitão que recomendara a soltura dos rapazes à vergonha de ser visto como culpado quando nada pesava contra ele, a dor dos familiares dos rapazes e acima de tudo, a destruição de sua carreira no Exército, por ter exposto sua corporação a essa vergonha sem perdão. Não há aqui e nem devemos ter animosidade contra esse jovem oficial, mais propriamente agora descrito como ex-oficial. Sua vida profissional, pessoal e familiar foi de tal forma atingida pelo seu gesto impensado, que fica difícil imaginar como ele viverá daqui em diante.
Uma corporação como o Exército Brasileiro, que o recebeu em suas fileiras, que tem entre seus feitos as campanhas na Itália durante a Segunda Guerra Mundial, as batalhas de Castelnuovo, Montese, Monte Castelo, um exército que recebeu e zelou pelos milhares de soldados alemães que se renderam a ele, que tem na sua história o exemplo do sargento Max Wolff Filho, que arriscava a vida sob fogo inimigo para resgatar companheiros feridos.
De outro lado, as tropas brasileiras aceitaram a rendição de milhares de soldados alemães, que conduzidos pelos soldados brasileiros, ficaram presos sob a guarda de sentinelas brasileiros e depois foram libertados para seguirem a vida em seu país. Uma vez rendidos, até a ordem de libertação, permaneceram sob a guarda dos brasileiros de forma correta.
Fora a tragédia que foi todo o acontecido, a corporação militar se vê gravemente ofendida com a atitude do jovem tenente. Junto com a extrema dor dos familiares, existe agora a honra da corporação, que dificilmente irá perdoá-lo. Resta-lhe a expulsão, mais provável, a prisão ou a vida sob uma desonra tamanha que ninguém sobreviveria a isso.
No filme, na seqüência final, ao verem seu comandante sendo preso, mas mesmo assim ainda culpados, um dos soldados, atônito, pergunta ao outro o que aconteceu, porque ainda são culpados? E o outro mais firme, mas com lágrimas nos olhos diz que eles haviam falhado em sua missão, haviam jurado na corporação que defenderiam com suas armas os mais fracos e haviam fracassado nisso.
Ao vermos a figura alquebrada e vencida do tenente chorando no tribunal, reconhecendo seu erro, devemos tão somente sentir que se por um lado ele paga pelo crime de ter entregue os jovens à morte, entregou-se sem perceber, para uma vida de desonra e desmerecimento frente aos seus colegas de farda e aos cidadãos comuns que chega a amargar até mesmo o senso da justiça que está sendo feita. Cada arma do Exército Nacional tem gravada nela os selos e símbolos da nação brasileira. Cada comando exige postura para com os subordinados. Cada prisioneiro exige regras de conduta por parte de quem o guarda. E foi isso tudo que foi desonrado nesse episódio.
De agora em diante, para o tenente, o dia a dia não é mais uma questão de honra. Essa já foi perdida. É uma questão de sobrevivência.
Vellker – 09.07.08 – voltar para A_ÍNDICE GERAL 3
Esperanças e caminhadas...
Nos dias de hoje o povo brasileiro tem caminhado em silêncio. Houve um tempo em que a esperança o acompanhou, mas hoje esse povo caminha sozinho. Cada um de nós fez esse percurso, de andar por novos caminhos, uns em épocas notáveis da nossa história, outros em épocas mais recentes. Mas de toda forma, vemos nas pessoas hoje em dia, a descrença, a desilusão e uma sensação de desorientação. Hoje os brasileiros, mais conscientes politicamente. se sentem como tijolos abandonados numa construção que nunca saiu do papel. A sensação é amarga, mas indica o caminho a seguir.
Figuras notáveis da política, que algum dia deram voz para a esperança de dias melhores e de uma nação que realmente brilhasse no cenário mundial, caíram junto com suas máscaras. Suas pregações de novidades e ética política revelaram-se apenas palavras de distração, premeditadas para fazerem tudo o que haviam condenado quando chegassem ao poder, no lugar de velhos coronéis do congresso nacional, que por hoje merece ser escrito em letras minúsculas.
Os partidos tradicionais, que eram seus alvos, por pouco tempo amargaram a derrota nas urnas, pois logo foram convidados pelos novos donos do poder a tomarem posse na distribuição e loteamento de cargos públicos, já que uma das visões desses novos arrendatários, o poder se tornava mais sólido com a amizade dos antigos desafetos, que por sua vez viam que beijar a mão de quem os esbofeteara pouco antes era lucrativo.
Ao povo, sentindo a solidão nas ruas, abandonado pelos que desfraldavam bandeiras, prometendo reformas nunca vistas na história política brasileira, restou apenas o amargor de ver sonhos destruídos e esperanças sufocadas na velha prática política do adesismo e do alpinismo social a qualquer preço, onde as consciências eram apenas troco pela vendas das almas. O povo virou as costas a esses enganos e prossegue ainda com esperanças em seu coração, mesmo que em silêncio. Quanto as que venderam suas almas, coisa de péssima qualidade tinham a vender, para compradores que acharam bom negócio comprar ferrugem a preço de ouro.
Porém o preço dessa ferrugem, quem pagou foi o povo brasileiro, que vemos hoje desvalido, em extremos de miséria disseminada envolvendo condomínios de luxo e seus moradores, que ainda acham um bom negócio viverem assustados atrás de muralhas e andarem nas ruas em carros blindados. Ocasionalmente, um deles cai vítima de tudo isso, mas continua sendo um bom negócio. Para a aristocracia francesa era um bom negócio ser amiga do rei, até caminharem para a guilhotina, sem entenderem o que afinal tinha dado errado.
Ao restante do povo, que se apinha nos grandes centros, amontoado em ônibus sufocantes por horas, indo para seus empregos, eternamente enfileirados na porta de hospitais públicos, de prédios de escolas em épocas de matrículas ou nos meses e anos que passam num saguão da previdência vendo indeferido o pedido de aposentadoria, enquanto vêem a mais nova e risonha entrevista de algum político envolvido em mais um caso de corrupção, resta a sensação de que, em definitivo, esse estado de coisas tem que terminar, seja de que forma for, pelos meios que forem necessários. Já há um consenso silencioso sobre isso. Tão silencioso quanto uma represa prestes a se romper.
Mas nada incomoda a velha e tradicional escola política brasileira, que em sua secular ganância, corrupção e desprezo pelo povo e pela nação brasileira, pouco se importa com o que é novo, com o que revoluciona, com o que muda e transforma uma nação de forma definitiva. Mudanças como essas que a história do mundo registra, onde governos caem e estruturas sociais mudam ao custo de um choque militar, para essa velha confraria de coronéis políticos é algo tão distante quanto o povo que dizem representar, é uma coisa tão fantasiosa quanto as promessas de que fazem, como as verdades que fingem defender em seus partidos.
Tem a nação brasileira ainda, apesar do seu silêncio, da sua aparente inação, forças que mais cedo ou mais tarde acabarão por serem libertadas. E as mudanças que irão fazer serão feitas pela força, pela força que silenciosa se esconde atrás da imensa massa de água que força as paredes da represa que a segura, enquanto trincas e brechas surgem junto com os estalos da imensa estrutura condenada.
Tem mais essa nação para oferecer ao mundo do que se pensa. No sentido de amplas transformações humanas e políticas, após um período que será tenso, conturbado e violento, como o é todo período em que uma nação se transforma. Mas isso pouco importa. Coisas assim fazem parte da experiência do desaparecimento de uma existência social que dá lugar a outra, como ela deve ser, correta, progressista e acima de tudo, justa para o seu povo.
Realmente digna da alvorada de uma nova civilização.
Vellker - 27.06.08 - voltar para A_ÍNDICE GERAL 3
Luta digna por uma nação igualmente digna...

Aos amigos leitores que aqui aparecem algumas vezes, pode parecer estranho que eu não cultive mais o hábito de variar os assuntos. E gostaria de fazer isso, pretendo até. Mas tudo com um cunho político.
Acompanhando as cenas diárias de violência e desagregação política e social do Brasil, percebi há tempos, que é necessário que falemos, todos nós que temos oportunidade de acessar estes espaços virtuais. Acessar para ler os textos que são publicados e também para escrever.
Hoje, como em tempos antigos, nossa nação está tão desprotegida, tão à mercê de bandidos de todos os tipos, que realmente estamos, mesmo ao escrever um simples texto lutando por nosso país, nosso povo, nosso futuro, nossa vida enfim.
Não me refiro somente aos bandidos da delinquência comum. Esses existirão sempre. O que hoje ameaça literalmente a sobrevivência do Brasil como nação é a mais nociva e corrupta classe de bandidos enfiados nos três poderes. Aboletados em posições no executivo, no legislativo e no judiciário, espalham injustiça, dor, miséria, ignorância e doença.
Após a Revolução Americana em 1776 os pais fundadores da nova nação, Thomas Jefferson, George Washington, Thomas Paine e outros, ao redigirem a Constituição americana, um simples livreto com apenas 25 artigos, que consideraram básicos para a regência correta dos governantes e juízes sobre uma nação, realçaram nos textos que escreveram então que “todo homem é criado igual, que todo homem é dotado pelo Criador de certos direitos inalienáveis, que entre estes direitos se encontra o direito à vida, à liberdade e à busca da felicidade. Que para assegurar esses direitos é que os governos são estabelecidos entre os homens, obtendo seus justos direitos do consentimento do povo governado”.

Porquê essa nação foi tão feliz em seu viver enquanto a nossa ainda se encontra refém, presa de práticas de prostituição política que infelicitam, empobrecem nossos cidadãos e expõem nossa nação à vergonha frente ao mundo?
Nossa constituição, escrita por encomenda em 1988, imensa, absurdamente inchada e que pretendia regular até mesmo tratamento de esgoto, tornou-se desde sua criação um esgoto para onde convergiram os piores e mais baixos interesses de políticos e dinastias familiares que secularmente viveram às custas do povo brasileiro.
Como explicar que um livreto com 25 artigos tenha levado a nação americana a alturas que poucas civilizações conheceram, enquanto que milhares de artigos, parágrafos, alíneas e incisos como na constituição brasileira tenha levado seu povo, em apenas 20 anos a uma total infelicidade e pior ainda, à entrega de boa parte do seu patrimônio e território a estrangeiros? Só mesmo a constatação pura e simples que só foram regulamentados e implementados os artigos que dizem respeito aos obscenos privilégios, arquitetados na época por Ulysses Guimarães, que pretendia com essa verdadeira negociata de privilégios criminosos para os supostos aliados dos três poderes, alavancar suas ambições presidenciais.
Tendo traído a nação, foi por eles logo depois traído, em proveito de quem lhes desse mais privilégios. Essa é a explicação da nossa infelicidade. Incensado como um herói pelos seus antigos cúmplices, era na verdade um legislador de aluguel, escrevendo o combinado para seus comparsas, sendo por eles depois descartado, a exemplo do que acontece quando bandidos brigam ao repartir o produto do roubo e acabam matando um deles. Foi só isso o que aconteceu, foi assim que essa assembléia constituinte de 1988 se organizou. Na verdade foi uma assembléia prostituinte.
Sendo assim, todos os que puderem fazer alguma coisa nesse mundo interconectado, onde as idéias se transmitem com uma velocidade que por milhares de anos o ser humano nunca viu, que escrevam, que mostrem sua indignação, que protestem, que ajudem a salvar essa nação e a si mesmos.
Há um momento de morrer em silêncio, quando a pessoa em seus últimos instantes vê que cumpriu da melhor forma possível seu dever de lealdade e justiça ao que é bom e correto. E há um momento de morrer ainda protestanto contra o que é mau ou injusto. E se necessário, além de protestar, morrer lutando pelo que é justo e correto, protegendo a sua nação e os seus cidadãos não só pelas armas das palavras, mas se preciso, também pelas armas que abatem os que são maus, injustos e corruptos.
A nação que virá dessa decisão de lutar será tão grandiosa quanto a coragem dos seus cidadãos.
Vellker - 15.06.08 - voltar para A_ÍNDICE GERAL 3
Segredos do espírito...

Passados esses últimos dias olhando textos e relembrando de algumas idéias, pensei no quanto gostaria de voltar a escrever outras coisas neste espaço. Coisas sobre a vida, reflexões e contos. E sem dúvida farei isso.
Mas nos dias em que vivemos, quem se considerar um pouco humano, medita. Humano, demasiadamente humano, já dizia um pensador e veremos que afinal é impossível escapar do pensamento político. Nem se trata de escapar, trata-se apenas de aceitar e exercer o direito de pensar e agir da melhor forma possível. Nos dias de hoje no Brasil, nem é mais um direito.
É uma obrigação imposta por esse momento da História, se quisermos sobreviver como povo e Nação.
Por vezes pensamos que estamos no alto de uma montanha, olhando todo esse cenário. O que se estende à frente da nossa visão é um abismo. Temos medo de cair. Como chegamos a essa altura? Ou fomos trazidos aqui?
E em outros momentos é como se olhássemos lá de baixo o pico dessa montanha. Estamos então no abismo e como chegaremos até lá em cima? Como chegaremos a essas alturas? Ou seremos levados?

Tudo se torna referência, alto e baixo se tornam de certa forma iguais, indistintos do que vemos, uma forma de pensar nos envolve assim. Existe apenas o ser, em algum lugar, meditando, aprendendo. Há uma mistura de reverência e admiração nesse momento.
O filósofo Friedrich Nietzsche deixou uma frase que nos faz pensar a respeito disso:
“Quando você olha muito tempo para um abismo, o abismo passa a olhar para você.”
Espírito e mente, altura e abismo, tudo se torna uma só coisa.
Não é diferente com a altura que olhamos. Uma luz banha nosso espírito, se irradia pela nossa mente. Não faz mais diferença altura ou abismo.
Nos sentimos livres. Nos tornamos o olhar em si.

O Segredo do Abismo
Vellker – 23.05.08 – voltar para A_ÍNDICE GERAL 3