BILOGUE DE TEXTOS, IDÉIAS E IMAGENS.

Textos sobre temas diversos e imagens, tudo o que pode servir de reflexão após uma conversa com os amigos. Apesar do calor de algumas discussões, expor idéias, debater pontos de vista, porém sem inimizades. Toda segunda, quarta e sexta-feira.

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Terra Blog

Categoria: C_CINEMA

23.11.06

C07_Cronicamente Inviável

categorias: C_CINEMA

Filme recomendado



Cronicamente Inviável - Brasil - 2000 - Drama - Direção de Sérgio Bianchi - Com Dan Stulbach, Cecil Thiré, Betty Gofman, Daniel Dantas, Dira Paes, Zezé Motta, Gero Camilo, Leonardo Vieira

Um filme que vai deixar todos com gosto de café sem açúcar na boca. E servido frio, tal qual a realidade brasileira desses tempos, já não tão curtos assim, que o diga Pero Vaz de Caminha em sua carta, escrita ao rei de Portugal descrevendo o Brasil, ainda palco em montagem de tudo o que viria depois. A carta dele até poderia ser usada como prólogo do filme.

Sérgio Bianchi fez um filme que é uma radiografia cruel do labirinto patrimonialista que criamos ao longo desses séculos, do verdadeiro cipoal de oportunismos e hipocrisias que ainda assola boa parte das camadas mais altas da sociedade, que frequentam os centros culturais e discursam de cima do muro dos três poderes, imitados pela classe média, que na falta de um muro de poder se limita a escutar na calçada.  

Pensando bem não é uma radiografia cruel. É um diagnóstico frio e preciso. Sérgio Bianchi fez um filme que nos deixa na situação de chegarmos a um consultório e perguntarmos o que temos que nos faz passar tão mal. E o médico, frio e sem piedade porque sabe que o caso tem que ser tratado assim mesmo, diz que temos uma doença que nós mesmos alimentamos. E a cirurgia vai ser radical e dolorida. Sem anestesia. Rápido, claro e sem rodeios. Na época em que foi lançado em São Paulo, o filme  iria cumprir a rotina de 2 dias de alguns aficcionados de cine clube assistindo. Ficou 2 meses com sala cheia. Foi o primeiro filme brasileiro que assisti em que nenhum celular tocou.



Os artistas deram um show de interpretação, a começar por Dan Stulbach, o imigrante sulista que tenta a sorte em São Paulo e aos poucos vai desvendando o cipoal de hipocrisias, meias verdades, conveniências e muralhas sociais que existem em nosso país. O fio condutor paralelo é a narrativa do sociólogo, que vai vendo tudo de norte a sul do país, de forma isenta e com um final de nocautear qualquer um. Numa das cenas, quando Dan tem o ônibus parado por uma manifestação dos Sem Terra e entra no meio do confronto entre um fazendeiro sulista e um imigrante nortista é digno de um Oscar. Muita coisa a ver com a tensão do dia de hoje em São Gabriel, no Rio Grande do Sul.



Outra cena inesquecível é aquela em que o cozinheiro de um restaurante expulsa dois mendigos que começam a revirar o lixo ainda com comida e feito isto, com a maior candura possível, continua a dar comida do restaurante para um vira-lata, como se aquilo fosse a bondade das bondades. Gero Camilo, em sua pequena atuação como motorista de ônibus também demonstra como dar vida a um personagem na tela, de tal forma que o vemos como é na vida real, no dia a dia, no trânsito maluco das cidades.

Coisa que Betty Gofman faz, na pele da sua personagem, ao distribuir brinquedos para crianças de rua, que se matam para pegar tudo o que podem enquanto ela se sente a virtuosa das virtuosas e esquece seus dramas domésticos. Lembra muito os chás beneficentes de madames em mansões, a anos luz da realidade dos necessitados que dizem ajudar doando vestidos de luxo e gastando no chá muito mais do que dão, em salões de beleza e roupas de griffe.



Dira Paes, está totalmente diferente da Solineusa que hoje interpreta na série "A Diarista", no papel da gerente do restaurante, que no arrivismo social oculta sua infância indigente, aparenta cultura e elegância, enquanto faz negócios de arrepiar os cabelos sem o patrão saber. Cecil Thiré retrata o patrão safado, tão comum nos dias de hoje, reunindo as qualidades de cortesia, educação e gentileza de maitre francês com os clientes do seu restaurante, enquanto que na verdade manda todos para os quintos dos infernos desde que leve vantagem em tudo.

Junto com a visão do personagem de Dan Stulbach, de forma paralela um outro observa o Brasil de norte a sul: Umberto Magnani. Sociólogo, escritor, observador das mazelas sociais do Brasil, nos leva pelos seus caminhos até o final totalmente inesperado com suas ações. 

  

Um filme que deve ser visto por todos, pois apesar dos tempos esperançosos que vivemos no Brasil de hoje, é uma ducha de água fria em muitas ilusões do quadro social que pintamos de nós mesmos como povo. Mas não deixa de terminar também chamando nossos melhores sentimentos para acertarmos tudo isso que montamos ao longo do tempo.

Aquele que final do filme tiver derramado uma lágrima por pequena que seja pelos menos favorecidos, já terá feito alguma coisa. Na verdade, a primeira coisa: ser compassivo.

Links a verifica:
Desembargador de AL dá a si mesmo diferença salarial de R$666 mil
Ex-deputados recebem jetons mesmo aposentados 
Mulher morre na fila do INSS
Trabalhadores escravos morrem em acidente de caminhão

Vellker - 23.11.06 - voltar para A_ÍNDICE GERAL 2

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01.11.06

C06_Contato

categorias: C_CINEMA

Filme recomendado

Contato - EUA - 1997 - Ficção Científica - Direção de Robert Zemeckis - Com Jodie Foster e Mathew McConaughey

Passada a época das eleições que polarizou todas atenções, volto com a recomendação deste filme, em vídeo e DVD. Uma história criada por Carl Sagan, que foi uma das mentes mais brilhantes do nosso tempo, cientista, escritor e em boa parte de seus escritos, um filósofo da Ciência.



A história se passa em torno da jovem cientista Ellie Arroway, que demonstrando desde pequena interesse e aptidão por ciências, entre elas a astronomia, fora incentivada pelo pai, até que este morre. Anos depois, formada e com um currículo de descobertas, inovações e novas técnicas criadas por ela, sai em busca de apoio para seu projeto de pesquisa de vida extraterrestre. Estava quase desisitindo, quando o recluso Mr. Haden, um gênio da engenharia, que havia criado um grupo industrial gigantesco, decide dar-lhe todo o financiamento necessário.



Perto do final do contrato, Ellie, num entardecer, usando os radiotelescópios do laboratório do governo americano, descobre uma emissão cifrada, ordenada e com uma mensagem encriptada dentro dela. A descoberta causa sensação no mundo todo, com todas as reações possíveis em se tratando de ciência, religião e uma nova visão do mundo.



Depois de tentativas infrutíferas para decifrar o código da mensagem, Mr. Haden, seu protetor, até com ironia risonha lhe mostra a chave final, que permitiu a leitura de toda a mensagem: um projeto alienígena, para mandar um ser humano a outra parte da galáxia. Nos desdobramentos que se seguem, Ellie é rejeitada por uma comissão do governo e depois de mais acontecimentos inesperados, é levada a outra máquina, construída em segredo pelas indústrias de Mr. Haden, quando então embarca na viagem, alcançando o outro lado da nossa galáxia.



Ao retornar, é confrontada com a mesma comissão do governo para provar que fizera a viagem, que realmente havia conseguido alcançar aquela parte do nosso universo. O filme é arrebatador pela idéia que nos passa das implicações de uma descoberta dessa magnitude em nossas estruturas da civilização, com seu modo de ver as coisas pela filosofia baseada só em nós mesmos e na religião.

Vale a pena ver as admiráveis cenas do radiotelescópio de Arecibo, em Porto Rico e mais ainda o conjunto VLA - Very Large Array, o grande conjunto de radiotelescópios montado em Socorro, Novo México, uma zona semi-árida, semelhante ao sertão nordestino. Nesses tempos onde a comunidade de cidadãos brasileiros mostrou notável capacidade para captar e entender os sinais vindos de uma força que surge no horizonte, não é demais sonharmos, como o sonhava o padre gaúcho Landell de Moura.

Sozinho, sem apoio, pelos idos de 1893 desenvolveu os cálculos e desenhos de válvulas muitos antes que viessem a serem feitas. Realizou experiências de transmissão de sons via rádio em São Paulo nessa época. Naquele tempo ele já falava em conversores de ondas eletromagnéticas em sons e imagens. Mas não encontrou apoio para suas idéias e morreu esquecido. Vendo esse filme, não deixemos sua memória no esquecimento e tenhamos acima de tudo a brilhante fé de que coisas assim, capazes de dar ao mundo uma nova visão do ser humano em relação ao Universo poderão ser desenvolvidas por talentos brasileiros.



Links a verificar:
Padre Landell de Moura
VLA - Radiotelescópios

Vellker - 01.11.06 - voltar para A_ÍNDICE GERAL 2

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  • Postado em 18:18:49

30.08.06

C05_A Caçada ao Outubro Vermelho

categorias: C_CINEMA

Filme recomendado



A Caçada ao Outubro Vermelho - EUA - 1990 - Ação - Direção de John McTiernan, com Sean Connery e Alec Baldwin. Com o relançamento de vários filmes em DVD esse é um que não pode deixar de ser visto. Pelas implicações atuais de acontecimentos militares. Escrito por Tom Clancy, ele teve como origem o acontecido no Mar do Norte, quando um submarino soviético emergiu ao que tudo indicava com um incêndio a bordo. Porém antes que as embarcações ocidentais pudessem prestar socorro, a marinha soviética praticamente cercou o submarino e o levou de volta. Era a década de 80 e a Guerra Fria estava no auge.

No filme, um novo submarino, com um sistema de propulsão silencioso, capaz de torná-lo indetectável pelos sistemas de vigilância submarina americanos é lançado para uma missão-teste. Capaz de carregar mísseis nucleares com ogivas múltiplas, seria uma arma definitiva. Comandado pelo Capitão Marko Ramius, no meio do caminho, o submarino toma rumos diferentes do planejado pelo comando da marinha soviética. Com uma carta deixada a um comandante ele deixa claro seu ato de tomar o submarino e entregá-los aos americanos. 



Navegando, é detectado por um submarino americano. Uma das melhores cenas é a da detecção e análise dos ruídos do Outubro Vermelho pouco antes de usar a propulsão silenciosa. Jones, o operador de sonar consegue analisar isso.  

Jack Ryan, o analista da CIA percebe que o capitão tinha algum motivo além da simples deserção para o Ocidente. E com sua teoria aceita é mandado para tentar contato com o capitão russo. Após ter escapado de um ataque dos próprios russos, o Outubro Vermelho é contatado pelo analista e pelo capitão do submarino americano. A bordo, durante a conversa, o capitão russo deixa claro que desertara porque tinha motivos além do que podiam imaginar.



Após uma série de acontecimentos e um combate submarino, o Outubro Vermelho e os oficiais que haviam trabalhado a favor de Ramius chegam aos EUA. Afinal, com isso estava ao menos afastado por enquanto o início de uma guerra nuclear.

Um filme que nos faz pensar em coisas atuais. Apesar de a União Soviética ter deixado de existir, hoje ainda existem nos escalões de comando das potências nucleares muita gente que pensa da mesma forma que o extinto comando soviético. Mesmo nos países ocidentais, muitos comandantes vêem com simpatia as idéias de líderes religiosos cristãos que consideram que um holocausto nuclear seria o Armagedon que permitiria a vinda de Cristo. Do outro lado do mundo, no Oriente Médio, boa parte dos fundamentalistas islâmicos acredita em coisa igual.
No meio disso tudo em Israel, rabinos ortodoxos, com grande influência nos comandos militares israelenses, propagam a idéia de que tudo, até mesmo o uso de armas nucleares é válido para que o grande Eretz Israel, o país dos tempos bíblicos seja reconstruído. Fundamentalistas cristãos, islâmicos e judeus só tem uma diferença: a direção para a qual devem ser apontadas tais armas. 
Vendo os noticiários e revistas atuais, temos que fazer como o operador de sonar Jones...ouvir bem as notícias para deduzir coisas que não são ditas, ler nas entrelinhas para entender coisas que não são escritas.

De que outra forma podemos entender como um cientista israelense Mordechai Vanunu foi seqüestrado em Roma pelo Mossad, o serviço secreto de Israel e condenado a 18 anos de prisão, por ter falado sobre trabalhos de enriquecimento de combustível nuclear em Dimona, reator nuclear de Israel? 



Ou de como os EUA consideram o Irã uma ameaça nuclear mas deixam que a Índia e o Paquistão tenham peças e combustível nuclear para a fabricação de seus mísseis nucleares e manutenção de suas usinas atômicas? Os testes com o míssil indiano Agni foram bem sucedidos.

O Paquistão, um dos países mais pobres do mundo encontrou apoio, financiamento e material para ter sua usina nuclear e a fábrica para seu míssil, igualmente operacional. 



Ou de como a AIEA, Agência Internacional de Energia Atômica, tão vigilante pelo mundo, nunca diga nada sobre a usina nuclear de Dimona, no deserto do Neguev em Israel?  

No filme, o capitão Ramius revela que desertara com o submarino porque ao analisar a planta dele ainda em projeto percebera uma coisa, que ele só tinha uma função: a de fazer um ataque fulminante e imediato contra os americanos, desencadeando uma guerra nuclear, na qual o alto comando soviético esperava obter a vantagem final. Isso, claro, ao custo de dezenas de milhões de mortos dos dois lados e mais pelo mundo afora. Mas certamente com uma vitória contra os americanos. Por isso, para evitar essa loucura, ele decidira entregar o equipamento aos americanos. De posse da mesma tecnologia essa vantagem se anularia. Não era um mero desertor que só queria conhecer o Ocidente para mascar chicletes e dançar rock. Era um idealista. Mais que isso, impedia um suicídio nuclear.

Pena que na vida real dificilmente seja assim. Como vemos pelas lideranças hoje pelo mundo afora. Especialmente pelo mundo equipado com essas armas.

E com essas idéias religiosas, pelas quais consideram incinerar outros seres humanos que pensem de forma diferente nada menos do que uma missão divina.

Vellker - 30.08.06  - voltar para A_ÍNDICE GERAL 1

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27.08.06

C04_A Queda

categorias: C_CINEMA

Filme recomendado

A Queda - Alemanha 2004 - Diretor: Oliver Hirschbiegel. Com Bruno Ganz e Alexandra Maria Clara.

Um filme que sem dúvida marca época na história do cinema. Adolf Hitler retratado dessa vez como um ser humano, como frisa o diretor em sua entrevista. Nos comentários e entrevistas no DVD, inclusive com Joachim Fest, o mais autorizado biógrafo de Hitler é precisamente esse o enfoque que é dado para a figura de Hitler. E é o mais correto, finalmente.

Convenhamos que é mais justo do que os filmes vistos antes, como fala Bruno Ganz em sua entrevista, onde os atores recebiam papéis e roteiros e tinham que interpretar um Hitler mais caricatura do que humano.

Aliás, em sua interpretação, Bruno encarna um Adolf Hitler que nada fica a dever ao verdadeiro. Quem assistir os documentários da época e depois assistir o filme perceberá isso. A interpretação de um homem batido, exausto, que oscila no limite entre a realidade de estar confinado num abrigo subterrâneo e ao mesmo tempo começa a falar na chegada de tropas que não existem, em milhares de aviões da nova força aérea alemã e logo depois cai em profunda cólera ao saber que um general seu não conseguiu conter os russos é marcante. E depois caminha pelos corredores, olhar perdido, ouvindo como todos o barulho da artilharia soviética acima dele. Berlim, que seria a semente da capital do Reich, Germânia, caia em chamas sob o avanço das tropas russas e americanas.
Em volta de Hitler, seus generais, alguns sem coragem de fugir, outros ainda na esperança de uma reviravolta. Afinal, se Hitler os tinha levado até lá, não haveria mesmo a grande retomada da Alemanha como ele dizia?

Outra cena que impressiona também é aquela em Hitler sai de seu abrigo para condecorar os meninos, os mais velhos com 14 anos, recrutados para lutarem por Berlim. Só comparando com as filmagens de documentários para ter uma idéia de como Bruno Ganz consegue nos mostrar o que foi aquilo.

Junto dele, a secretária Traudl Junge, que deu o depoimento que originou um livro e o filme. Com suas memórias das coisas que viu, nos passa um quadro vívido de tudo o que aconteceu.

Os dias finais se sucedem dessa forma: uma romaria de generais sem tropas, ordens de prisão de oficiais dissidentes, as figuras de homens das SS e Goebbels ainda falando a todos da grande virada na batalha e Hitler cada vez mais perdido em seu mundo irreal.  A sonhada Germânia, capital do III Reich desabava sob o peso da realidade. Atos de desespero, uns de sobrevivência, outros de fim dos tempos.

A sequência onde Magda Goebbels mata seus filhos é de uma rara intensidade. Uma das mais fiéis adeptas do Reich de mil anos, matando seus filhos porque não acreditava num mundo sem nazismo. Lá fora, literalmente, Berlim caia em pedaços, enquanto os eslavos sub-humanos, como diziam os ideólogos do regime, avançavam em divisões blindadas. Os que deveriam ter sido os escravos do regime nazista, agora eram parte do exército soviético.

Depois do suícidio de Hitler, Traudl consegue passar pelos soldados russos e voltar para casa. Lá refez sua vida e nos deixou esse testemunho.  A garota ingênua, que foi, como disse, mais atraída pela curiosidade de ver o círculo de poder do que por ideologia.

O que esse filme nos leva a pensar é que hoje em dia, desfrutando de imenso poder bélico, muitos governantes modernos, que se dizem civilizados, não resistem à tentação de se julgarem acima de tudo e de todos. E junto com eles, sua nação. Exemplos não faltam nos dias de hoje, como vemos nos noticiários da televisão.

Hitler afinal era tão humano quanto esses líderes de hoje. E como muitos deles costumam dizer sempre para seus povos, acreditam-se divinamente orientados.

Hitler também acreditava que Deus estava com ele.

Vellker - 27.08.06  -  voltar para A_ÍNDICE GERAL 1

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  • Postado em 00:48:59

17.06.06

C03_A Rocha

categorias: C_CINEMA

Filme recomendado

1996 - Direção de Michel Bay, com Sean Connery. Nicolas Cage e Ed Harris.

Um filme com roteiro inteligente, personagens que prendem a atenção e por mais controvertidas que sejam suas ações, despertam simpatias, até mesmo no caso do "vilão" com traços de heroísmo.

Ed Harris interpreta o papel de um general americano, veterano da Guerra do Vietnã e de ações secretas no exterior, que concretiza um plano de forçar o governo americano a reconhecer publicamente os soldados que abandonou em missões secretas. Isso com a ameaça de usar armas químicas que seus comandados haviam roubado de um arsenal e que ele tinha posicionado na antiga prisão de Alcatraz.

Para tentar reverter a situação, as agências do serviço secreto decidem usar os conhecimentos do prisioneiro interpretado por Sean Connery, preso ilegalmente durante 30 anos por suas ações em território americano. Detalhe: tinha sido o único capaz de fugir de Alcatraz.

Junto vai o agente do FBI interpretado por Nicolas Cage, especialista em armas químicas, para localizar e neutralizar os foguetes com gás de nervos, capazes de causar milhares de mortes.

Ao entrarem na prisão, o destacamento especial é descoberto e intimado a se render, pois ao serem cercados num piso inferior estavam sob a mira das metralhadoras dos amotinados. Numa das cenas mais comoventes do filme, instados a se renderem pelo general, o comandante dos soldados diz que ele e seus homens, como soldados dos Estados Unidos haviam feito um juramento de defender o povo e o Congresso americano. Terminam mortos, mas não se rendem. Tal atitude, mesmo num filme de ficção nos leva a pensar que em semelhante situaçâo, soldados brasileiros poderiam dizer o mesmo quanto ao povo do seu país, mas nunca sobre seu congresso. Na verdade não pensamos isso...concluímos por tudo o que acontece hoje.

Um filme que vale a pena ser visto, pelo que traz de ação, roteiro, atuações e acima de tudo, certas considerações sobre heroísmo e coragem.

Vellker - 17.06.06  -  voltar para A_ÍNDICE GERAL 1   

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  • Postado em 02:26:31