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Um exemplo para nós...
Amanhã, dia 20 de janeiro de 2009, Barack Hussein Obama tomará posse como o 44o. presidente eleito dos Estados Unidos da América, junto com seu vice-presidente Joseph Biden. Não podia deixar de ser uma justa homenagem que ele faz com sua viagem de trem, que começa na cidade de Filadélfia onde a independência americana começou. Homens como Thomas Jefferson, George Washington, Benjamin Franklin e outros declararam a independência em 1776 e enfrentaram a Inglaterra até 1783, quando vencida a guerra, puderam dar uma constituição à sua nação.
Apesar dos antagonismos que desperta, querida por uns, odiada por outros e admirada por todos, a nação americana, seguindo as idéias políticas assentadas desde o governo de seus primeiros presidentes que também participaram da luta contra a Inglaterra, veio a ser tornar o que é no mundo e acima de tudo mudou a visão do ser humano acerca de si mesmo e do universo com as descobertas que protagonizou. Como toda nação que se destaca no poder tanto interno quanto externo, cometeu erros que deixaram marcas e também deixou a marca de conquistas que provam o acerto dos pais fundadores, cuja declaração de independência serve na essência para as aspirações políticas de outros povos.
Com sua constituição concisa, com apenas 7 artigos e 25 emendas, tudo o que foi legado por esses pais fundadores se consubstancia nos Estados Unidos da América e no exemplo que são para o mundo.
No percurso que faz até Washington, Obama repete a viagem que o presidente Abraham Lincoln fez em 1861. Um defensor das melhores aspirações do seu povo, Lincoln viu-se como presidente envolvido na Guerra Civil Americana, quando os 13 estados do sul decidiram separar-se por não aceitarem a abolição da escravidão. Em alguns momentos, o que hoje chamamos de América esteve em vias de separar-se em pequenos estados, quando Lincoln, superando a situação conseguiu com seu carisma congregar os melhores talentos em volta de si e mais que isso, motivar a população da União a combater até a vitória, já que a luta era inevitável. Militarmente desgastados e politicamente isolados, os separatistas tiveram que se render, pondo fim a uma das maiores tragédias que o povo americano enfrentou.
Hoje, num dia que marca novamente a nação americana com a realização de sonhos que poucos consideravam possíveis e pelos quais muitas vidas foram perdidas lutando por eles, mesmo sem esperança de vitória em tempos passados, vemos o cenário de Washington iluminado pelos personagens do passado que ressurgem cheios de esperança. Não faltarão lágrimas de alegria nos olhos dos americanos amanhã durante a posse de Obama, ao se lembrarem da voz de Martin Luther King, quando dizia para milhares de americanos a frase "Eu tenho um sonho...".
Homens como Jesse Jackson, que estava do lado de Martin quando ele foi morto, que enfrentou junto com ele perseguições, prisões e risco de vida estarão lá também, em justa homenagem a esses grandes espíritos do passado, conhecidos e desconhecidos que marcaram não só uma época, mas mostraram o caminho a ser seguido. O caminho mostrado desde os pais fundadores até o dia de hoje não é só dos americanos. Com sua visão iluminista, os pais fundadores sabiam que a constituição que haviam redigido se aplicava a todos os povos. Dependeria somente da atitude política de seus sucessores, da luta do povo, das oportunidades e da vida da nação americana, que seus ideais viessem a se tornar profundamente conhecidos e que ganhassem vida própria em corações e mentes mundo afora.

Hoje, nesse dia que está próximo, Barack Hussein Obama representa com sua posse dada pelo votos de milhões de cidadãos americanos, a realização desses sonhos e dessas esperanças.
Porém, entre os pais fundadores, um deles deve ser relembrado aqui. Um homem que esteve presente nas lutas e que com seus escritos contribuiu em muito para que o que vivemos hoje se tornasse realidade. Um homem que saiu da Inglaterra como ele mesmo dizia em busca e defesa da liberdade, que enfrentou dificuldades e perigos sem desistir dos seus ideais. Este homem é Thomas Paine, que lutou até o fim de sua vida por essa idéia de liberdade e justiça. É mais conhecido pelo livro que escreveu chamado "Os Direitos do Homem" em que até hoje passa a seus leitores uma grande emoção pela defesa que faz dos ideais de liberdade e justiça.
Que vendo a posse de Obama, tenhamos a lembrança dos seus ideais no coração.
Vellker - 19.01.09 - voltar para A_ÍNDICE GERAL 4
Porque não pensaram nisso antes...?
No dia 13 de janeiro, o ministro da Justiça Tarso Genro concedeu ao terrorista Cesare Battisti o status de refugiado político. Comemorada pelas esquerdas como se diz, a decisão foi contra o julgamento da justiça italiana, que havia condenado Battisti a prisão perpétua na Itália por vários crimes quando ele fez parte do movimento extremista de esquerda PAC, Proletários Armados pelo Comunismo, na década de 70 em seu país.

Tendo participado de vários assaltos e 4 assassinatos na Itália, Battisti primeiro fugiu para a França, onde viveu por 10 anos, protegido por leis do governo Mitterrand que protegia antigos terroristas desde que se comprometessem a abandonar a luta armada. Com a revogação do benefício pelo sucessor Jacques Chirac, Battisti fugiu para o Brasil onde chegou de forma clandestina em 2005 e terminou preso em 2007. Agora com a decisão de Tarso Genro, Battisti está a um passo de passear sossegado pelas ruas de Brasília e dar uma bela cuspida na porta da embaixada italiana. Tudo garantido pela polícia, que é agora obrigada a proteger o dito cidadão.
Em pronunciamento um tanto contraditório, o presidente Lula defendeu o que foi decidido e disse que a Itália deve respeitar a decisão de um governo soberano e não ficar reclamando. Para ser mais coerente pensando assim, Lula devia ter proibido o chanceler brasileiro Celso Amorim de ir até o Oriente Médio em conversações sobre a ofensiva militar de Israel na Faixa de Gaza. Decisão soberana não é para ser respeitada? Se for pensar assim, a decisão soberana de Israel deve ser respeitada, mesmo que uma bomba israelense de 500 kg. entre porta adentro do gabinete presidencial. Também a decisão do Equador de não pagar o que deve para o Brasil sendo soberana devia ser acatada em silêncio. Mas o modo de ver as coisas de companheiro é diferente.
O que fica patente de tudo isso é a forma um tanto tendenciosa, para ser generoso, em como os esquerdistas remanescentes da época do Muro de Berlin veem as coisas. Os assassinatos que Battisti cometeu na Itália eram apenas uma faceta da luta pela "libertação do proletariado", o mesmo proletariado italiano que nunca ajudou as facções que por lá se envolveram na luta armada e que pretendiam dar ao proletário italiano o mesmo tipo de liberdade que existia na antiga União Soviética, coisa que até mesmo os russos decidiram dispensar em 1991.
Uma das coisas que é tão falada pelos esquerdistas, a saber, a abertura dos arquivos da repressão, julgamentos e tudo mais, aqui neste caso é varrida para debaixo do tapete, uma vez que a simples acusação de que o governo italiano viciou os julgamentos é propalada aos quatro cantos. Nas acusações contra Battisti pesaram os depoimentos de companheiros seus, que presos, decidiram aproveitar a chance da delação premiada oferecida pela justiça italiana. Ou seja, o antigo comunista, agora chamado de arrependido, entregava todos os nomes e contava tudo o que sabia e pronto, pegava uma pena leve. Coisa muitíssimo igual, se não tiver sido copiada do regime militar brasileiro, que contava entre seus informantes, o mesmo tipo de arrependidos, que por aqui eram chamados de "cachorrinhos". Eram os do tipo que depois de presos, segundo os antigos membros das forças de repressão levavam um tapa para falar e três para calarem a boca, de tão solícitos se mostravam entregando companheiros para salvar a própria pele. Alguns até aceitaram participar de encontros com colegas de luta armada, indo e voltando para passar todas as informações para seus captores de forma bem obediente. Hoje vivem anistiados e montados em gordas indenizações.
O problema de Battisti é que o governo italiano não anistia ninguém e não permite a prescrição dos crimes que ele cometeu e assim com a ajuda de seus amigos esquerdistas, muito mais provavelmente temerosos do estrago que ele possa causar se vier a ser preso e decidir também ser um "arrependido" e abrir a boca para falar o que sabe se sair ganhando com isso, montaram ampla campanha para que ele fosse considerado refugiado, já que os ministérios da Justiça na Itália e na França são coisa séria. Sabendo que podiam contar com a ajuda de Tarso Genro, puseram mãos à obra.
Fica assim mais do que evidente porque praticamente todos os brasileiros já viram cenas de filmes americanos onde os bandidos, depois de um bem sucedido assalto, se reúnem, dividem o dinheiro e todos conferem pela última vez o destino das passagens que já compraram. O destino é sempre o Rio de Janeiro.
Agora, toda essa multidão de antigos terroristas que estão espalhados pelo mundo, que cometeu todo tipo de crimes, com certeza tomará um susto ao ouvir batidas na porta do esconderijo onde estiverem. Ao abrirem a porta meio tremendo, darão de cara com um dos amigos que moram lá também e perguntarão:
- O que é isso companheiro? - ao que o outro responderá, tirando alguns bilhetes do bolso:
- Chega de tomar susto. Comprei passagens para Brasília!
Mas dá para entender porque não pensaram nisso antes. É que antes o regime aqui no Brasil era diferente.
Vellker - 16.01.09 - voltar para A_ÍNDICE GERAL 4
Divindades também caem...
Com a notícia do recente disparo de mísseis do território libanês, os israelenses levando em frente sua ofensiva na Faixa de Gaza prendem a respiração e o temor da abertura de uma nova frente de combate faz odos os estrategistas de Israel estremecerem. O custo que isso representaria em termos de soldados, equipamentos, baixas e uma nova onda de antipatia mundial, justo no momento em que o mais fiel aliado de Israel, o já quase ex-presidente George Bush não dá mais ordens é um cenário que deixa seus generais e políticos sem dormir.
O que os israelenses começam a sentir de forma cada vez mais desanimadora é que a onda de ódio que foram alimentando desde que se instalaram no Oriente Médio em 1948 a cada dia se torna mais e mais preocupante. Em última análise, Israel, como em 1973, pode apelar para seu poderio nuclear que nunca foi confirmado e ao mesmo tempo nunca foi desmentido pelos seus dirigentes, mas num cenário desses, a intervenção da Rússia e da China, em implícita ameaça de entrar num conflito desses não é nada desprezível. Em 1973, com o avanço das tropas egípcias, segundo antigos membros de serviços secretos, Golda Meir ordenou que 13 ogivas nucleares transportadas por aviões fossem colocadas ao lado dos aviões. Com os satélites americanos e soviéticos captando a radiação das ogivas e prevendo o desastre que isso poderia
representar, em questão de alguns dias conseguiram parar o conflito.
Hoje, com o cenário na região sempre mais tenso, pouco se pode fazer num caso desses. A Síria que nunca renunciou à sua decisão de reaver as colinas de Golan tomadas por Israel em 1967, países como o Líbano
com seus radicais que cresceram a partir da ofensiva de Israel em 1982, onde após uma sangrenta ofensiva Israel provocou enormes baixas na população civil e ao mesmo tempo viu suas forças paralisadas nos
combates de rua em Beirute, o crescimento de movimentos como o Hezbolah, Hamas e o crescente poder militar do Irã criam uma situação que nos permite entender porque os filhos dos judeus que emigraram para Israel hoje pensam em como sair de lá.
Apesar de acreditar que se defende, o cidadão israelense já começa a pensar que vai chegar o dia em que será impossível manter tantas frentes de batalha. Um país que apesar de sua invejável posição no campo da educação e avanços tecnológicos, não consegue entender porque desperta tanto ódio. Mesmo uma parte dos israelenses já começa a pensar que torna-se vital para seu futuro, para sua sobrevivência pura e simples reverem seus conceitos de estado, de religião, de nação, de relacionamento com seus vizinhos e acima de tudo retirarem do poder os líderes que no fundo sempre se guiaram pela visão religiosa, extremista e segregacionista dos rabinos ortodoxos, na construção do estado do Eretz Israel, que pressupõe, é claro, a recriação de Israel em fronteiras definidas pelos ortodoxos religiosos. Tal visão só pode conduzir para o desastre.
Os radicais islâmicos com a crescente influência e ajuda de homens no poder como Mahmoud Ahmadinejad, que viveu no Irã a guerra contra o Iraque na década de 80 trabalhando no serviço secreto iraniano e grande conhecedor de muitos dos segredos daquela região e que depois de sobreviver a tudo, se alicerça como um dos poderes militares que mais crescem na região e ainda por cima dá ajuda a esses grupos, as opções de Israel começam a ficar cada vez mais limitadas, se forem baseadas somente no confronto militar, que até hoje, em larga escala é sustentado pelo governo americano a fundo perdido de mais de 2 bilhões de dólares por ano, enquanto que os árabes, tendo perdido a limitada ajuda da União Soviética em 1991, continuam por seus meios a crescer em força militar. Nas milícias islâmicas até mesmo crianças já passam por treino militar, acreditando ser um dever quase sagrado o combate. No futuro de Israel, muito antes de ele chegar, já existem esses inimigos.
Hoje, em meio ao tumulto dos combates na Faixa de Gaza, com uma máquina militar imensa e que avança lentamente com o apoio de aviação e artilharia pesada, lutando contra radicais islâmicos que dispõem só do equipamento leve de infantaria, mas combatem sem cessar e ainda ao custo da própria vida disparam os mísseis que podem, no fundo, soldados e cidadãos de Israel sentem, sem nada dizerem, que uma guerra assim já é de antemão perdida. Mais dia menos dia, virá o acerto de contas, coisa que muitos israelenses tentaram avisar desde 1948 mas foram ignorados.
Resta a homens como Ehud Olmert e seus generais e soldados, nos momentos em que estão a sós com seus pensamentos, assistirem a tudo como deuses vencidos.
Vellker - 14.01.09 - voltar para A_ÍNDICE GERAL 4
Um conto escrito pela vida...
Existe um filme muito bom, baseado num conto de Stephen King, mestre do horror, chamado "O Aprendiz" que conta a história de um estudante americano, que por uma série de acasos descobre que um idoso alemão, quase seu vizinho, era na verdade um criminoso de guerra. Ao confrontá-lo com a ameaça de contar tudo para a polícia, o velho oficial alemão pergunta o que ele quer. Ele diz que mantém tudo em segredo, desde que ele lhe conte em detalhes tudo o que viveu na 2a. Guerra Mundial, como comandante de um campo de extermínio. Em certa altura das conversas, o antigo oficial alemão vê no rapaz um aprendiz muito capacitado.
Em que pese a ficção do conto, resta saber o desfecho do conto ainda sendo escrito pela vida. Nesse conto, no dia 20 de janeiro de 2009, Barack Obama, o primeiro presidente negro da história dos Estados Unidos assume seu cargo, enquanto a vida por uma série de roteiros que ela mesmo escreveu continua mostrando mais coisas a ele. Resta saber como ele reagirá ao aprendizado. Já recebendo ao mesmo tempo que o presidente Bush todos os relatórios dos serviços de inteligência americanos, Barack Obama começa a mostrar outro rosto para as câmeras. No lugar do sorridente candidato, começa a surgir agora um rosto apreensivo.
Começando a saber de coisas sobre a situação mundial que antes como candidato ignorava, Obama entra no caminho dos grandes aprendizes do maior poder mundial, passando a ser leitor atento dos grandes segredos do mundo, consubstanciados nos relatórios da CIA e da NSA, a pouco conhecida e poderosa National Security Agency, que além da coleta de bruta dados da CIA, um eufemismo para as operações do serviço secreto que custam vidas mundo afora, trazem também relatórios da coleta eletrônica de dados da NSA, que só na década de 70 já era capaz de informar ao governo americano quais seriam as decisões de Leonid Brezhnev, secretário geral da União Soviética simplesmente porque era capaz de captar as emissões que ele julgava secretas entre seu avião e seus ministros.
Barack Obama começa a ver assim a situação de perigo em que caminha o mundo, uma situação que não deixa de ter semelhanças com o velhinho do conto de Stephen King, que num exercício de imaginação, agora morando num apartamento perto da Casa Branca, lhe contará sim tudo o que ele viveu no mundo desde 1939, desde que ele mantenha tudo isso para ele e para os que já sabem. Sim, infelizmente tem quem saiba e se aproveite disso.
Os grandes problemas do esgotamento das reservas de petróleo, vitais não só para os Estados Unidos, mas para o mundo todo. Hoje, com mais de 60% de seu consumo garantido pelo petróleo que vem o Oriente Médio, viram-se os americanos com a desastrada presidência de George Bush invadindo o Iraque pelo real objetivo de garantir sua presença militar por lá e ao mesmo tempo assegurar a exploração e remessa do petróleo custe o que custar. Custou por enquanto a vida de mais de 3.000 soldados americanos e pelo contado, de mais de 90.000 iraquianos, a um custo de bilhões de dólares por ano, preço baixo a pagar se garante a sobrevivência da própria nação americana. Tudo motivado por uma suposta democracia iraquiana e começado num famoso atentado até hoje mal explicado Mas é melhor não falar disso em voz alta.
Enquanto isso, em Israel, a ofensiva contra a faixa de Gaza, muito bem pensada para essa época do ano, teve e terá até seu fim a principal finalidade de pegar o novo presidente americano de surpresa como pegou, antes que ele e seus secretários efetivamente possam a vir dar novas ordens, quando então estarão lidando com um fato consumado muito perigoso e os dirigentes de Israel poderão sentir pela sua reação, se no fundo ele será um bom aprendiz, desses que não criam problemas. O último que tentou reformar para essas estruturas de poder foi o presidente americano John Kennedy empossado em 1961. E que morreu em 1963, num atentado até hoje também mal explicado.
Com seu serviço secreto bem montado, com agentes infiltrados em vários cargos de países árabes, com sua coleta de dados eletrônica com sistemas e rede de satélites espiões próprios, conseguindo informações que são passadas para os serviços secretos americanos e vitais para terem um mapa atual da região, Israel recebe em troca desde as peças dos seus tanques até o combustível para seus aviões e de resto todos os equipamentos para manter sua máquina militar funcionando. Sem isso Israel seria forçado a passar para o seu último grau de intimidação, ou seja, a ameaça do uso de sua força nuclear frente a uma força árabe unida, com o que o Oriente Médio entraria em colapso e a Europa e os Estados Unidos, o mundo todo enfim se veria frente a um desastre sem precedentes na história mundial pela completa desorganização da extração e distribuição do petróleo. Os conflitos que poderiam vir então, num mundo com forças nuclearizadas, ninguém sequer imagina.
É tudo isso que o aparentemente bom velhinho tem contado aos poucos para Barack Obama. Mais ele vai saber a partir do dia 20. E talvez fazer o que for possível. Com a mesma sensação de quem caminha na beira de um abismo. Cada passo é um aprendizado.
Vellker - 12.01.09 - voltar para A_ÍNDICE GERAL 4
Uma guerra sem saída ...
Nesses dias em que continua a ofensiva israelense na Faixa de Gaza, fica mais uma vez comprovado que um grande exército nem sempre garante uma vitória. Pior ainda, cada disparo de sua artilharia pode ser mais um estrondo em que se comprova sua derrota.
É o que acontece dia a dia nessa ofensiva do exército de Israel, que apesar do poderio esmagador, hoje se vê na situação de um atirador perdido em uma viela, com a mira do fuzil quebrada, atirando para todos os lados e anunciando o bombardeio indiscriminado da população palestina como uma grande estratégia de guerra. Mapas são mostrados, comboios de tanques avançam e aviões de combate disparam mísseis e bombas, dando cobertura a soldados que completam o cenário avançando.
Pudesse Israel ganhar essa guerra em corações e mentes e não precisaria disparar um tiro que fosse. Para completar a sensação de perda dos caminhos dentro da política e da própria nação, Israel e seus soldados se vêem confrontados com a sensação amarga de que de nada adiantou mostrar a força que tem. Do Líbano, algum grupo temerário de militantes radicais também disparou mísseis que acabaram acertando uma base aérea, coisa ainda não confirmada.
A população palestina, apesar do sofrimento que tem passado ao contrário de esmorecer apóia os militantes radicais, que bem ou mal vão ganhando seu espaço e assim também seus corações e mentes. Resta aos soldados de Israel apreciarem o espetáculo pirotécnico de sua artilharia, passar por regiões desoladas cheias de mortos, terem ciência da verdadeira maré de ódio que despertam e se consideraremm vencedores, para não terem que amargar essa constatação que a cada dia se torna mais pesada do que toda sua artilharia.
Sim, venceram e ao mesmo tempo perderam militarmente. E pior, perdem a cada dia a pouca simpatia que ainda tinham mundo afora e isso coisa que começaram a perder há muitos anos atrás. Apesar de seu imenso poder, ainda assim na fronteira norte de seu país também aparecem outros militantes desafiando esse poder. Que pode fazer Israel? Atacar todo o mundo conhecido além de suas fronteiras? Convocar todos seus reservistas e transformar cada cidadão num combatente? Do quê e para quê, já se perguntam no íntimo muitos dos seus cidadãos, que se um dia sonharam em ir para a terra prometida tão falada, hoje pensam em como ir para outra terra qualquer, onde possam viver em paz. Se a terra prometida exige tanta dor, melhor deixar tudo isso para quem queira.
No íntimo, cada cidadão israelense está cansado de viver com medo, cansado de ter receio de se aventurar fora das fronteiras de seu país, cansado de ouvir os alarmes avisando que mais bombas estão chegando, cansado de saber que protestam mundo afora contra tudo que sua nação faz.
Sem saber o que dizer frente aos protestos da comunidade internacional, os jornais israelenses procuram ser neutros, tentam anunciar que tudo vai bem na frente militar, autoridades como Ehud Olmert, Shimon Peres e
Ehud Barak fazem patéticos discursos triunfalistas e moralistas, enquanto que o cansaço em suas vozes mostra que nada sentem de triunfo nem de moral e a população vive tentando não sentir mais angústia do que já sente.
Em 1948 os judeus fizeram de tudo para criarem e proclamarem ao mundo o Estado de Israel. Que se tornou um verdadeiro labirinto de guerras e incerteza. Há 60 anos vagando dentro desse labirinto, os israelenses chamam a isso de terra prometida.
Vellker - 09.01.09 - voltar para A_ÍNDICE GERAL 4