BILOGUE DE TEXTOS, IDÉIAS E IMAGENS.

Textos sobre temas diversos e imagens, tudo o que pode servir de reflexão após uma conversa com os amigos. Apesar do calor de algumas discussões, expor idéias, debater pontos de vista, porém sem inimizades. Toda segunda, quarta e sexta-feira.

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Arquivo de: Novembro 2008, 10

10.11.08

P79_Uma história americana

categorias: P_POLÍTICA

A América nos surpreende... 

 

No dia 4 de novembro de 2008 foi eleito o primeiro presidente negro dos Estados Unidos. Seria uma frase num livro de ficção política, mas não é. Barack Hussein Obama nesse dia tornou-se o 44o. presidente norte-americano e sua eleição confirma a capacidade dos americanos em se refazerem como povo e nação. Apesar das dificuldades imensas que eles tem pela frente, sem dúvida poucos acontecimentos na História alcançaram tal magnitude. 

 

Uma das coisas que permitem uma comparação incrível é o carisma de Obama em tudo semelhante ao de John Kennedy, que eleito em 1961 protagonizou um governo que fez história até seu assassinato em 1963. O modo de falar, a esperança que despertaram na alma do povo americano, a idéia de mudanças políticas e econômicas, a solução de grandes tensões militares externas, sobre tudo isso Kennedy tinha idéias que pôs em prática e sobre tudo isso agora Obama se expressou da mesma forma e o mundo espera pelo que ele vai fazer a partir de janeiro de 2009. Permanece em tudo semelhante nos dois o carisma e a forma como despertaram esperanças no povo americano.


A América com 13% de sua população composta por negros, evidencia que a vitória de Obama veio em grande parte do voto dos brancos, que vivendo outras épocas preferiram dar valor às idéias que ele pregou, se emocionaram com o sentimento esperança que ele passou e sem medo decidiram por tê-lo como presidente. O que mais fica visível é que grandes políticos assim, sempre dotados de um carisma que dê ao eleitor a sensação de ser pessoalmente compreendido em seus receios e esperanças pela sua nação, reagem coletivamente dizendo sim às suas propostas. Foi uma imagem emocionante a que correu o mundo, de eleitores de todas as raças na América, unidos e ouvindo o discurso da vitória com lágrimas nos olhos. 

 

Sempre hostilizando a imprensa, pela primeira vez em mais de cem anos de existência o grupo racista da Ku-Klux-Klan, que sempre perseguiu os negros com violência na América, sentiu-se tão deslocado que seu dirigente distribuiu uma nota aos jornais dizendo que Obama tem um parte de sangue branco. A Klan que sempre perseguiu de negros a imigrantes com extrema ferocidade, sendo até mesmo força política importante nos estados americanos do sul, hoje se vê reduzida a esse bizarro comentário pressentindo seus dias finais.  

 

Alguns analistas consideram a eleição de Obama comparável com a queda do muro de Berlim em 1989. Seria melhor dizer que sua indicação para concorrer pelo Partido Democrata, com a concordância dos principais chefes políticos empolgados com suas idéias e sua bem-sucedida trajetória na campanha é que podem ser comparadas à queda do muro. Com sua aceitação pelas lideranças políticas e pela população, aí sim é que um muro invisível que existia na relação racial norte-americana começou a cair.  

 

Em termos de magnitude política a eleição de Obama pela América só encontra paralelo na queda da União Soviética em 1991, quando uma nação inteira depois de ter experimentado a liberdade que nunca havia tido e que Mikhayl Gorbatchev lhe trouxera, decidiu apoiar em peso o pronunciamento político liderado por Bóris Yeltsin. O momento culminante do movimento foi quando, emocionados pelas palavras de Yeltsin que discursava do alto de um tanque, os soldados Exército russo decidiram ficar do lado do povo russo e deixaram de obedecer ao antigo comando soviético..   


Guardadas as devidas proporções dos acontecimentos em cada nação, o sentimento de mudança que impulsionou os delegados do Partido Democrata ao nomearem Obama como seu candidato à presidência e a forma como os eleitores se agregaram em torno da sua mensagem de mudanças e esperança é um movimento nacional idêntico em sentimento, só diferente na transição pacífica e na região do mundo. Mas comprova que qualquer povo responde ao político que tenha carisma e algo a dizer. Resta agora esperar seu trabalho na presidência mas não só Obama sempre deixou claro como os americanos também sabem que o trabalho será longo, contínuo e muitas vezes penoso, mas não impossível, assim como ele sempre disse em sua campanha que “Sim, nós podemos”. 

 

Mas essa é uma história americana. 


Vellker - 10.11.08 - voltar para A_ÍNDICE GERAL 3
 

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