| S | T | Q | Q | S | S | D |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 |
| 8 | 9 | 10 | 11 | 12 | 13 | 14 |
| 15 | 16 | 17 | 18 | 19 | 20 | 21 |
| 22 | 23 | 24 | 25 | 26 | 27 | 28 |
| 29 | 30 |
Um exemplo que fica...
Terminou a vida de um homem que fica como um exemplo. Morreu no dia 26 o ator Paul Newman, que nos brindou ao longo de 40 anos de carreira no cinema, com filmes inesquecíveis e com personagens marcantes. Uma das coisas que se destaca em sua biografia é sempre a vida regrada e discreta, longe de agitações e escândalos que marcam a vida de muitas celebridades, quando não as arruínam de vez.
Newman era um desses poucos atores a entender que a sua imagem no cinema não deixava de estar ligada com sua imagem na vida real. Entre o personagem das telas e o personagem da vida real, ia pouca distância no modo de agir. Ao longo da vida não deixou de dar exemplos e ter atitudes como a de personagens a que deu vida nas telas. Tendo construído uma sólida carreira, podia escolher personagens assim, heróicos ou trágicos, mas sempre procurando o que chamamos de correção e justiça ou a redenção pelos erros cometidos.
Na vida pessoal, empenhou-se em levar sempre adiante a empresa de alimentos que criou com um colega, chamada de Newman’s Own. Tendo começado como uma espécie de lazer, a empresa, impulsionada pela sua marca pessoal, tornou-se um grande negócio e através dos seus lucros, Newman destinou mais de 250 milhões de dólares para projetos filantrópicos, sem dúvida, nesses tempos de política que amargamos por aqui, mais um exemplo. Conhecedor das mazelas da ganância humana, adotou um slogan irônico e bem humorado para os fins de sua empresa: Uma exploração desavergonhada em prol do bem comum.
Dois filmes se destacam em seus trabalhos no cinema: O Veredito e Hombre. Em o Veredito, ele interpreta um advogado decadente, que tendo sido falsamente acusado pelos sócios de seu escritório, viu sua carreira de brilhante advogado arruinada e caído no alcoolismo, vivia de deixar cartões em velórios e resolver pequenas pendências judiciais, quando então pega o caso de acusação de negligência de um hospital, contratado pelos parentes da vítima, que pobres, só podiam contar com ele. Ao longo do filme, se retemperando, escapando de todas as armadilhas do seu oponente, consegue uma vitória incontestável no tribunal e seu personagem começa a trilhar o caminho de uma nova vida, uma redenção perfeita.
Em Hombre, ele faz o papel de um branco no Velho Oeste, que criado pelos índios desde criança, fora renegado pela sociedade branca e sai da reserva índia para ir até a cidade receber uma pequena herança de um parente. No retorno na diligência, discriminado por todos, Newman se torna a única chance de salvação deles ao reagir a um assalto e guiar os passageiros com seu conhecimento da região. Particularmente intensa é a cena em que ele, ao ser ameaçado por um dos bandidos, consegue puxar sua Winchester .44 abatendo-o no mesmo instante e pondo os outros em fuga. Nos tempos de hoje no Brasil, um exemplo sem dúvida.
Vai-se o homem, fica seu exemplo e o dos personagens que tão bem interpretou. Vendo de um ângulo político na atual e amarga situação em que vivemos, suas atitudes na vida pessoal e na vida dos personagens que viveu, nos deixam a sensação de que no veredito de todos, Newman, no melhor estilo de honra e coragem do Velho Oeste que hoje nos faz tanta falta por aqui, foi um Hombre, sem dúvida.
Vellker - 30.09.08 - voltar para A_ÍNDICE GERAL 3