BILOGUE DE TEXTOS, IDÉIAS E IMAGENS.

Textos sobre temas diversos e imagens, tudo o que pode servir de reflexão após uma conversa com os amigos. Apesar do calor de algumas discussões, expor idéias, debater pontos de vista, porém sem inimizades. Toda segunda, quarta e sexta-feira.

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Arquivo de: Setembro 2008, 11

11.09.08

P65_Tempo de mudanças

categorias: P_POLÍTICA

O início do fim... 

 

Estamos vendo por esses dias o quanto é necessária uma nova ideologia política, que vá além do mero falar de ética, caça a corruptos e criminosos, reformas políticas e Defesa Nacional. Em toda a sua história, é provável que o Brasil nunca tenha se encaminhado para uma ameaça tão grande sem perceber. Ou ao menos, com muitos maus brasileiros, traidores mesmo, fazendo de tudo para que nosso povo não perceba isso.  


O único tema que realmente abrange tudo nisso, numa nova ideologia é a da Defesa Nacional, que se uma vez teve seu auge na época do regime militar, mais do que nunca se faz necessária com os acontecimentos que de forma gradativa vão se sucedendo na América latina e que como não poderia deixar de ser, afetam e muito o Brasil, que ao longo desses 20 anos de regime dito civil, teve suas Forças Armadas sucateadas, seu patrimônio vendido a estrangeiros, seu ensino destruído e foi dividido em zonas de influência, primeiro de coronéis políticos e agora do crime organizado que ficou até mesmo em posição de comandar zonas eleitorais. 


Um exemplo vívido desse perigo são os atuais distúrbios na Bolívia, que há coisa de mais de um ano se prenunciavam, quando o presidente Evo Morales, em atitude equivocada decidiu empenhar-se pessoalmente na proclamação de uma Constituição que praticamente dividiu o país em índios, mestiços e brancos. Carregando o texto com uma interpretação de que aí sim, os índios iriam ser uma espécie de classe dominante, ao invés de unir o país com um discurso pacificador, preferiu Evo apostar na divisão e no domínio de uma etnia por outra, o que já resulta no prenúncio de uma guerra civil, com os últimos conflitos que ali acontecem hoje. 

  

Hoje, enfrentando franca revolta contra o governo central por parte dos estados mais ricos e fronteiriços com o Brasil, como Beni, Tarija, Pando e Santa Cruz, não é improvável que a Bolívia, uma das nações mais pobres e infelizes deste continente, venha a se dividir numa guerra civil, ficando a tão sonhada nação indígena de Evo Morales reduzida às regiões isoladas de La Paz, Oruro e Potosí, mais miseráveis, mais perdidas e mais desvalidas do que já são. Vê-se por aí o quanto é fácil dividir uma nação, dominada por seculares problemas políticos e sociais, os quais a Bolívia apresenta no grau mais elevado na América Latina.

 

Vendo o exemplo da Bolívia, não é difícil antever cenário igual no Brasil, continuando as coisas como estão, com os latentes conflitos sociais sendo agravados por organizações e governos estrangeiros interessados em terem a posse do Brasil como uma imensa província mineral, para atenderem as suas necessidades e tão somente isso.  

 

Os sistemas de energia, transportes e telecomunicações já foram passados a estrangeiros no governo de Fernando Henrique Cardoso e quase nada Lula fez para reverter isso. O primeiro grande território mineral que era dos brasileiros, a Companhia Vale do Rio Doce, foi vendido a estrangeiros em 1997, avaliado por uma empresa estrangeira em 10 bilhões de dólares, quando geólogos do Brasil e do exterior davam para aquela jazida, com toda a estrutura montada pelo Brasil em mais de 20 anos e com capacidade de exploração de 300 anos, o valor mínimo de 100 bilhões de dólares. Mas nem mesmo assim deveria ter sido vendida. Hoje é propriedade nominal de um brasileiro, mas na verdade controlada por belgas e ingleses. 

   

Agora que Lula surge brandindo alegremente a descoberta das jazidas petrolíferas do litoral brasileiro, calculadas em mais de 70 bilhões de barris de petróleo, o atual estado de fraqueza política, social e militar do Brasil, com toda essa riqueza em nosso território, mas sem possibilidades de defesa, nos traz à lembrança as palavras de um estrategista estrangeiro em 1938, no prenúncio da 2a. Guerra Mundial, quando ele dizia que “...O litoral do Brasil oferece hoje a qualquer nação com poder militar, um prêmio de grande valor, visto que o Brasil é um país incapaz de se defender por mar, por terra e por ar, pois não tem forças militares para isso...”. 

 

Hoje, com os conflitos latentes na América Latina, em países como Colômbia, Venezuela e mais dramaticamente na Bolívia, primeiro grande teste de uma divisão política e territorial a ser feita como prólogo do que virá, vemos as plataformas de petróleo do Brasil abandonadas à própria sorte, sem que sua nação seja capaz de defendê-las, enquanto que a Marinha Americana decide reativar a sua IV Frota Naval, usada na década de 60 para operações exclusivamente nos mares da América Latina, incluído aí o Oceano Atlântico e suas recém descobertas jazidas de petróleo, que os americanos precisam para viver e manter sua estrutura industrial e militar, custe o que custar. Sem petróleo e sem minerais estratégicos, a nação norte-americana deixa de existir e estará disposta a atacar qualquer país que disponha dos recursos que ela necessita e que não aceite submeter-se às suas diretrizes de como devem ser aproveitados e em benefício de quem. Hoje, a única nação privilegiada com minérios e petróleo em abundância e livre de qualquer ataque norte-americano é a Rússia, pelo poder militar convencional e nuclear de que dispõe e que construiu ao longo dos anos da Guerra Fria. Só não vê o desastre quem não quer ou vive dele.

 

Mais do que nunca, deixando de lado considerações inúteis e que só nos fazem perder tempo, precisamos de forma decidida a começar a adotar uma nova ideologia de Defesa Nacional, onde se congreguem civis, militares e políticos com patriotismo numa organização única, aberta e acima de tudo nacionalista, para a defesa do que temos e do nosso território, mais do que nunca do Brasil e da nossa sobrevivência como povo. 


Se acreditarmos em nós mesmos como povo e nação, capazes de trazer uma contribuição decisiva e mudanças históricas no curso da Humanidade, precisamos apenas estarmos preparados para esse tempo de mudanças. 
  

 


Vellker - 11.09.08 - voltar para A_ÍNDICE GERAL 3

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