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A Esperança, enfim morta...
Nos últimos dias, com as notícias sobre os últimos acontecimentos políticos, podemos ter a certeza de que a esperança dos brasileiros em mudanças, jaz enfim morta. Que a terra lhe seja leve, pois para os que ainda vivem, a vida tem sido pesada.
De forma dolorida porem incontestável, acabamos de ver até onde o Brasil foi rebaixado de nação a entreposto comercial pelos que se diziam arautos da democracia, defensores da cidadania, advogados do estado de direito e mais outros títulos pomposos sob os quais se esconderam.
Parece coisa difícil ou mesmo impensável, mas sem mais nenhuma sombra de dúvida, o retorno a um estado autoritário se faz mais do que necessário, se faz até mesmo vital para nossa sobrevivência. Chocante? Somente para os advogados que vivem dessa democracia de fachada ou para os políticos que fazem fortunas na política de corrupçãos desses dias. Ou então para jornalistas, que com discursos falsos sobre cidadania, vendem seus serviços para qualquer um.
Hoje, enquanto lemos nos jornais que grupos indígenas viajam pelas capitais européias acusando o povo brasileiro de todas as maldades e ao mesmo tempo pedindo a arbitragem de tribunais estrangeiros para a demarcação de suas terras, vemos ao mesmo tempo o nosso próprio judiciário se desmoralizando e como conseqüência disso, se submetendo ao silencioso exame dos juízes estrangeiros, que o consideram fraco, inepto, incapaz e corrupto. E na verdade é. E considera também que pode sim, decidir por ele. Se corruptos como um recém nomeado conselheiro do tribunal de contas de Alagoas, que renunciou ao mandato de deputado para não ser cassado, apesar disso assume um dos postos chave para vigiar o dinheiro público, podemos dizer sem sombra de dúvida, que mesmo os bem intencionados no judiciário preferem acima de tudo manter a situação atual, afinal é a que lhes garante o salário do mês e a aposentadoria com vencimentos integrais no fim de tudo.
Em sua alegre revoada de meio de ano em suas “bases” como dizem, deputados e senadores fazem os arranjos finais para mais uma colheita de vagabundos e patifes que serão seus novos aliados na região das famosas “bases”, trabalhando como sempre em benefício desses modernos “coronéis” que Getúlio Vargas já havia tirado do poder em 1930 e que hoje vicejam no chamado estado de direito, na verdade um estado lamentável isso sim. Enquanto isso, vemos na propaganda eleitoral todas as noites, absolutas nulidades morais e intelectuais, bradando velhos chavões de moralidade e cidadania, querendo apenas uma confortável vadiagem às custas do dinheiro público. Mal conseguindo recitar o texto que escrevem para eles, portam-se como palhaços num picadeiro, ao invés de oradores numa tribuna. Dizem que o nome disso é democracia.
Em termos de território nacional, sofremos com a triste constatação de que não temos mais Forças Armadas. O Exército Brasileiro, desaparelhado e sucateado desde 1986 quando os civis reassumiram o poder, vê-se incapaz de defender a integridade territorial brasileira. Nossa indústria bélica, que cresceu de forma vigorosa quando o presidente Geisel em 1979 rejeitou o acordo militar com os EUA, começou a morrer quando as sucessivas administrações civis a destruíram, em parte por revanchismo, em parte porque eram corruptas demais para perceberem que cavavam a própria destruição.
Em abril deste ano, o general Augusto Heleno expressou publicamente sua revolta e alerta com a impossibilidade de o Exército poder cumprir com sua missão de defesa do território nacional pelo sucateamento e retenção de verbas que sofre há anos. No ano passado, o Brigadeiro Junichi Saito, comandante da Força Aérea Brasileira, deixou claro que mais da metade das nossas aeronaves militares está além de obsoleta, paralisada no chão, sem condições de vôo. Na semana passada, o almirante Júlio Soares de Mora Neto expôs a quase extinção da Marinha Brasileira ao mostrar que dos 25 navios, já antigos, apenas 14 navegam, dos 23 aviões embarcados, apenas 1 voa e dos 5 submarinos apenas 3 navegam.
Enquanto isso, festejam os políticos corruptos suas incursões contra a nação, contra os brasileiros. Festejam sua impunidade desviando a cada ano 5 bilhões de reais em todo o país e riem da justiça, com seus foros privilegiados, com suas imunidades, vivem em suas mansões erguidas com o lucro dos seus crimes, vendem o patrimônio nacional a estrangeiros, promulgam impostos que roubam e extorquem os brasileiros que morrem na porta dos hospitais públicos, nas filas da previdência, enquanto que até mesmo as Forças Armadas, última linha de defesa do nosso país, começam a desaparecer.
Este é o cenário que vivemos hoje. Essa é a tragédia que enfrentamos que poderá, dependendo da nossa reação de cidadãos e militares, definir nosso futuro. Sem reação, estaremos condenados a viver o mesmo drama do continente africano, dividido e retalhado por milícias armadas, que hoje já aparecem em cidades como o Rio de Janeiro, impondo as suas ordens até mesmo para o cidadão votar nos candidatos que deseja. Atualmente chamam a isso de democracia.
A Esperança, como a entendemos no melhor conceito, está morta. Assim como a mítica ave Fênix, reviverá de suas próprias cinzas. Mas para isso ela deverá ter um lugar para viver e ser defendida pelos que desejam sua volta.
Para isso teremos que reagir contra esses criminosos, custe o que custar.
Vellker - 28.08.08 - voltar para A_ÍNDICE GERAL 3
Ministros, jornalistas e generais...
Passou o último dia 7 de agosto como se não existisse para a imprensa nacional em certos assuntos. O que não é de se estranhar, já conhecida a habitual cautela, quando não medo mesmo dos jornalistas brasileiros, quando a situação política tende a atingir temperaturas acima do esperado.
No dia 7 desse mês de agosto, sempre o mesmo mês que deu acontecimentos históricos aos Brasil, aconteceu a reunião do Clube Militar no Rio de Janeiro, onde com a presença dos generais da reserva e dos atuais comandantes militares, o setor militar posicionou-se frontalmente contra as declarações do ministro da Justiça Tarso Genro, no sentido de rever a Lei da Anistia, propondo investigações, condenações e prisões de militares que tenham participado de atos de tortura contra ex-militantes de esquerda, na época do regime militar.
Pintados como heróicos e românticos pelos jornalistas que vêem ou viam nessa nova aventura pelos descaminhos da trapaça pura e simples, quem sabe uma chance de abocanhar alguma indenização por conta de alguma estória nebulosa que viessem a inventar, os jornalistas amigos dos ex-guerrilheiros de esquerda, em sua maioria aboletados em confortáveis pensões e indenizações que eles mesmos criaram depois que assumiram cargos eletivos, que custaram ao contribuinte brasileiro 3 bilhões de reais em indenizações, viram que se é bom pôr fogo na reputação do vizinho, contando com a proteção do departamento jurídico do seu jornal, viram também que fazer o mesmo com o depósito de munições ao lado era bem arriscado.
Resultado: a impávida imprensa brasileira, ao ver que estava na linha de tiro, pouco falou do assunto, apenas em tons descritivos, nada de comentários, honrando mais uma vez sua tradição de só escrever o que se lê nas entrelinhas: não me comprometa, cheguei agora e não sei de nada, quando a situação esquenta mesmo.
O ministro Tarso Genro, depois de suas incisivas declarações, ao ver a maré de reação dos militares, percebeu que um silêncio estratégico era a melhor opção. Ao mesmo tempo Paulo Vanucchi, secretário dos Direitos Humanos ficava quieto enquanto que o ministro da Defesa Nelson Jobim tratava de apaziguar os ânimos, dizendo aos militares que não era nada disso e dando a luta por encerrada antes mesmo de começar. O presidente Lula, chegando da China tratou de fazer um discurso em homenagem aos que morreram em lutas políticas e dizendo que tudo deve ser esquecido.
A reunião do Clube Militar do dia 7, que contou com a presença de 700 oficiais da ativa do Exército, da Aeronáutica e da Marinha, deixou claro que a corporação militar pensa como um todo e se opõe frontalmente a qualquer iniciativa nesse sentido. Se necessário, se rebelarão completamente contra qualquer ação desse tipo e contra esse argumento não há resposta.
Na reunião deixaram visível sua revolta contra essas iniciativas, que de resto, percebe-se, visam somente a interessados em estórias sem comprovação irem cavar alguma indenização por alguma coisa que aconteceu não se sabe aonde nem se faz idéia direito.
Os militares deixaram claro também sua insatisfação e indignação, igual à dos cidadãos brasileiros, pela longa seqüência de escândalos, corrupção e inércia política que acompanha o atual governo, coisa na qual o governo passado do PSDB também se esmerou. Também dizem ser inaceitável que o atual governo tenha contato com representantes das Farc aqui no Brasil. Falando de outra forma, os militares engatilharam seus fuzis, ligaram seus tanques ainda dentro dos quartéis e a constatação é uma só: ministros, jornalistas e o governo em peso correram para se enfiarem embaixo da mesa na sala da República. Teve gente que ficou de fora e se disfarçou de tapete.
Apesar do silêncio apaziguador dos ministros e jornalistas, mais carregado de medo do que de juízo, o acontecido ainda vai ter desdobramentos e ao que tudo indica, fora os 20 anos de insatisfação, decepções e corrupção por parte da classe política, os mesmos que pretendiam meter a mão em dinheiro alegando perseguições, meteram a mão numa cumbuca sem tamanho.
Que não era de ouro e sim de chumbo.
Matérias a verificar:
Tarso Genro defende punição a militares
Reunião do Clube Militar do dia 7 de agosto
Vellker – 13.08.08 – voltar para A_ÍNDICE GERAL 3
Brasil, campos de concentração, pacientes e cobaias...
Quem lê alguma coisa sobre a História da 2a. Guerra Mundial, quase sempre encontra em capítulo à parte, a história de Joseph Mengele, médico, integrante da SS e que efetuou experiências em prisioneiros de campos de concentração. Baseado nas teorias raciais do nazismo, Mengele efetuava experiências que iam desde a injeção de corante azul nos olhos de crianças, testes de hipotermia, onde prisioneiros eram congelados lentamente em tanques de água gelada e suas reações anotadas até a morte e operações em adultos e crianças, usados como cobaias. Invariavelmente suas vítimas sofriam uma agonia intensa e quase sempre morriam.
Nas proporções devidas, pode-se dizer que Joseph Mengele, se não deixou seguidores na Alemanha, de forma jamais esperada tem seus discípulos aqui no Brasil, onde uma nação inteira se vê exposta aos azares de amanhã ou depois, adoecida, entrar numa fila de espera de transplante de órgãos para depois descobrir que foi passada para trás, em favor de afilhados políticos ou de doentes que puderam pagar um razoável suborno para pularem da 32a. para a 1a. posição na fila de transplantes. Quem ficou para trás, geralmente confiando em certos médicos, ficou para sofrer uma agonia horrível até a morte. E acreditava que ia ser salvo.
A diferença que existe entre o médico assassino Joseph Mengele e seus seguidores do Brasil é que nos campos de concentração os prisioneiros escolhidos por ele sabiam que sofrimentos horríveis e a morte os esperavam e os pacientes dos médicos assassinos do Brasil acreditavam que seus supostos salvadores zelavam pela sua saúde e pela sua vida. Hoje, com a revelação do esquema de fraudes na fila de transplantes de fígado do Rio de Janeiro, vemos que apesar de ser um médico monstro, Joseph Mengele tinha até uma certa superioridade sobre seus discípulos do Brasil. Ele fazia o que fazia por acreditar na ideologia nazista. Os médicos denunciados no caso brasileiro faziam o que faziam por dinheiro e vantagens políticas. Sem dúvida, na classificação de monstruosidade, Mengele perde para esses médicos desmascarados aqui no Brasil. Pelo menos, quando ele chegava no campo de concentração, todos sabiam para o que ele tinha vindo.
Só quem já viu a agonia e o sofrimento de uma pessoa que não tem mais os rins funcionando direito, que já sofreu uma grave lesão no fígado, que se arrasta sem forças por problemas no coração ou nos pulmões e que está a espera de um doador na fila de transplantes, sabe como esse crime que foi cometido aqui é terrível, o quanto é imperdoável e como deveria ser exemplarmente punido.
Mas já sabemos o que vai acontecer aqui no Brasil com esses que foram denunciados na Operação Fura-Fila, levada a cabo pela Polícia Federal no Rio de Janeiro. Apesar do crime que cometeram, os denunciados irão para uma “cadeinha especial”, afinal, com diploma de curso superior poderão dizer que não sabiam o que estavam fazendo. Logo depois responderão a um “processinho”, pois com seus amigos políticos e dezenas de recursos que poderão interpor, nenhuma acusação chegará a lugar nenhum. Isso na parte judiciária. Na parte relativa ao Conselho de Medicina, responderão a um “inqueritozinho” e tudo se perderá em intermináveis reuniões de perguntas e respostas que também darão em nada. Amigo é para essas coisas, já dizia um cantor.
O mais aterrador é imaginar os momentos em que doentes esperançosos receberam as visitas desses médicos, que afinal tinham que fazer exames para saber quantos ainda estavam na frente dos seus amigos políticos e quando não deles, dos seus corruptores, que mesmo estando em último lugar na fila, estavam em primeiro lugar na conta bancária.

Enquanto isso, doentes, vendo o “bom doutor” saindo do quarto, abraçavam-se com seus familiares, todos com lágrimas nos olhos crentes que afinal seu sofrimento teria fim, agradecendo a Deus por estarem assistidos por um médico tão bom. O mesmo médico que ao chegar em sua sala, já informava a situação dos pacientes, já dizia quantos deveriam ser passados para trás e quanto isso ia custar e ponto final.

Joseph Mengele fugiu no final da guerra e não respondeu por seus crimes. Morreu afogado numa praia paulista na década de 70, como pode acontecer com qualquer um. Preferiu viver no Brasil e conseguiu ocultar-se por aqui com sucesso, até sua morte. É de se acreditar que como médico tenha visitado algumas faculdades para matar saudades, dizendo-se talvez algum curioso, interessado em Medicina. E podemos acreditar também que Joseph Mengele, vendo a estrutura judiciária e dos conselhos de medicina em seus processos e inquéritos por aqui, tenha chegado à conclusão de que, se tivesse sido preso e julgado por um sistema desses, mesmo com tudo o que fez durante a guerra, teria ainda assim, direito a uma prisão especial.
Quem sabe se não foi por isso que preferiu viver aqui até o fim da vida.
Matérias a verificar:
Médicos presos por fraudar fila de transplantes
Médicos pedem habeas corpus
Vellker – 01.08.08 – voltar para A_ÍNDICE GERAL 3