BILOGUE DE TEXTOS, IDÉIAS E IMAGENS.

Textos sobre temas diversos e imagens, tudo o que pode ser escrito e anotado após uma conversa com os amigos. Apesar do calor de algumas discussões, expor idéias, debater pontos de vista, porém sem inimizades. Vellker - (vellker@bol.com.br)

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Terra Blog

Arquivo de: Dezembro 2007

30.12.07

R34_A tormenta e o código

categorias: R_REFLEXÕES

Uma tormenta, um livro e um código... 

Há poucos dias atrás saí para caminhar com minha companheira numa tarde de sol. Um passeio agradável, mas de passos rápidos. Ao mesmo tempo em que observávamos a Natureza, íamos nos exercitando. Decidimos caminhar estrada afora, bem mais do que planejamos inicialmente. 


Aos poucos nuvens de chuva foram se formando no horizonte. Não dei muita importância para isso e já numa distância considerável de casa, minha companheira me alertou para o fato de que afinal as nuvens não eram tão amistosas assim. Sempre admirei as nuvens de chuva, com aquelas formações imensas, da cor cinza chumbo e apreciei o espetáculo. Tomavam conta do horizonte e logo começou a ventar. Começamos a fazer o caminho contrário. Ao mesmo tempo eu me voltava sempre para olhar, a poucos quilômetros de nós, uma tormenta se formando e não pude deixar de ver a beleza do cenário. No horizonte atrás de nós, uma massa gigantesca e compacta de nuvens avançando e no horizonte à nossa frente, uma massa mais calma, com a cor característica de chuva, mas tendo no centro um círculo de luz, de uma claridade indescritível e com o brilho do sol dando-lhe uma tonalidade de uma beleza que poucas vezes vi. 


Apesar de envolvidos pela tormenta, que já caia bem longe de nós mas que chegava rápido, fiquei ao mesmo tempo desejoso de esperar ali que ela chegasse para ver toda aquela força. Minha companheira me convenceu a irmos para casa. Em certo momento, corremos um pouco. Os primeiros pingos caiam, o vento antes rápido, agora era uma ventania forte, de assustar mesmo, que levava a terra e agitava árvores com toda força. As nuvens de poeira passando pelas ruas, as nuvens bem atrás se virando em torvelinhos que atingiam a terra e se levantavam com uma força incrível me deram uma visão inesquecível. Afinal conseguimos chegar em casa a tempo. A tempestade esgotou toda sua força antes de chegar e minha companheira e eu contemplamos apenas uma chuva forte mas suave, caindo sem maiores problemas. Guardei toda essa visão na memória.Espero ver outro espetáculo assim logo.

E por esses dias, emprestei um livro, que deu origem a um filme famoso. O filme é bom, o livro também. Mas o que me chamou a atenção foram as lembranças que se mesclaram em minha mente, do que lia, das cenas do filme e da tormenta que tinha visto.


Em certas passagens não podia deixar de comparar as tonalidades da tarde em que tinha caminhado, com as imagens e a leitura daquela hora. Em alguns momentos revivi, pelas formas da imaginação os tempos em que nosso planeta tinha tempestades descomunais. Tempos primitivos, quando a vida ainda não existia e somente as grandes tormentas varriam esse chão. O mesmo lugar onde eu lia e minha companheira do meu lado descansava, era então apenas uma porção de terra, onde toda essa força caia e conformava a vida que viria.

Em reflexões assim, aos poucos o pensamento começa a nos trazer imagens com a força da tormenta que eu tinha visto. Meus pensamentos voltaram para a tormenta e se cruzaram com a calma e o silêncio daquele momento. Ouvi o cantar de pássaros no quintal e me lembrei do ruído do vento naquela tarde. Na luz suave do quarto me lembrei do clarão dos raios no horizonte. Pareceu-me que olhar a Natureza assim é como um código. Uma espécie de código natural, que é ao mesmo tempo, de forma incrível, constante e variável. Constante na percepção comum de todos os seres. Variável como se a Natureza se amoldasse ao modo de ver e sentir de cada um dos seres que fazem parte dela, da vida, de tudo. Nos raios de uma tormenta e nas palavras de um livro.

Microcosmo. Pensei nas partículas mais pequenas conhecidas. Macrocosmo. Me lembrei das grandes massas estelares que conhecemos. Tudo pareceu rodar em minha mente de uma forma ao mesmo tempo intrigante e comovente. Ao mesmo tempo com a força da tempestade que vira e ao mesmo tempo com a suavidade do momento que eu vivia. Pensei no críptex que vira no filme, que é descrito no livro e por um instante tive a grata sensação de ter percebido ainda que de relance, apenas uma e só uma das letras que permitem saber do segredo da existência. Só isso já me trouxe uma alegria e uma sensação de reverência sem par.


Como será então saber de todas as coisas, de todo o segredo, de todo o código da vida?

Vellker – 30.12.07 - voltar para A_ÍNDICE GERAL 3

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  • Postado em 17:19:50

16.12.07

R33_Porque não escreve...? De novo...

categorias: R_REFLEXÕES

Mas tudo tem um tempo de retorno... 

Na quinta-feira passada, recebi uma mensagem de um velho amigo, também biloguista. Na troca de idéias e novidades da política e religião, assuntos que gostamos de conversar, ele me perguntou porque havia parado de escrever neste espaço. Uma pergunta que já havia feito há muito tempo atrás.

Achei mesmo que já havia passado do tempo de escrever mais algum texto, porém por causa de duas coisas demorei para escrever. 

A primeira é a profunda, imensa tristeza mesmo com que vejo e creio que a maioria dos brasileiros vê, um governo que se prometia renovador, hoje tão íntimo e amigo das oligarquias que jurou combater. Tornaram-se aliados que mais parecem unidos por laços familiares do que pela simples conveniência política.


Sim, votei no governo Lula, mesmo sabendo que ele não seria correto. A opção dos brasileiros era votar no espertalhão de porta de banco ou no assaltante propriamente dito. Em termos de opção de voto, pensava comigo mesmo ao dirigir-me para as salas de votação, que dos candidatos que tínhamos, Lula seria esse espertalhão, olhando velhinhas na fila do banco recebendo suas aposentadorias, para aplicar o conto do bilhete premiado. Seus adversários, em especial o antigo bloco de cúmplices de Fernando Henrique Cardoso, ladeados pelos velhos “coronéis” como Antonio Carlos Magalhães e José Sarney, mal viam a hora de voltar ao poder. Esses seriam os assaltantes que entrariam no banco armados para roubar todo mundo. Ou seja, dos elementos, como é dito no jargão da Polícia Militar, que apareciam na urna eletrônica, Lula era o que daria menos prejuízo, de uma forma grosseira, o que roubaria menos. 

Mesmo numa cidade pequena, puxando conversa com os políticos da escola dos amigos dos outros candidatos, dava para ver a esperança que tinham de, uma vez assumindo o poder, chamarem novamente investidores estrangeiros para a entrega definitiva das grandes jazidas minerais desse Brasil a estrangeiros, a exemplo do que fez o governo de Fernando Henrique Cardoso, que praticamente doou os sistemas de geração, transmissão e distribuição de energia, telecomunicações, estradas, sistemas financeiros e tudo mais a estrangeiros a preços subsidiados. Um verdadeiro assalto contra a nação. 


Nem me venham com essa conversa de que tudo melhorou. O que tivemos foi uma implementação física de instalações e serviços, mas tudo, absolutamente tudo o que foi construído ou implementado, foi centavo a centavo, pago pelos brasileiros, com os oligopólios que os estrangeiros construíram nos setores que passaram a dominar, sem contar que agora, além disso tudo, o Brasil, com suas imensas carências e bolsões de pobreza, alimenta a riqueza de países do chamado 1o.  mundo. 

As empresas hoje dominadas por estrangeiros, além de terem elevado os preços dos seus serviços a níveis antes impensáveis, lesam o consumidor, valem-se de um sistema legislativo cúmplice, de um sistema judiciário que as favorece, tudo sob os olhares de um executivo complacente, pois afinal, de todos os bilhões de reais que os estrangeiros lucram, o imposto devido ao governo federal flui generosamente para as contas de Brasília. 

Tudo o que foi implementado aqui poderia ter sido feito com uma administração correta, nacionalista, voltada para os interesses do Brasil, do seu povo e do seu futuro. E não teríamos perdido nada da nossa independência, nem do nosso patrimônio, árduamente conquistado desde 1964. 

Ou seja, os brasileiros agora, além de financiarem o desenvolvimento de países mais ricos, arrecadam mais dinheiro para o governo federal, que desde os tempos de Fernando Henrique Cardoso permitiu aumentos abusivos de preços, pois em tudo o que era e é cobrado, a arrecadação dos impostos aumenta na proporção direta dos aumentos concedidos a essas empresas. E sob os olhares de Lula, as coisas continuaram assim. 

No fim de contas, Lula não se contentou em ser apenas o espertalhão da porta do banco. Aliou-se aos bandidos que estavam de fora, abrindo as portas para eles, se não de forma direta, pelas alianças políticas, conchavos e negócios entre amigos, repartindo o poder, em nome dos planos de sobrevivência do seu partido, sendo que o povo brasileiro é apenas um incômodo peso a ser carregado e no final de tudo, uma massa de trabalho que produz as riquezas que são desviadas. 

Isso, num país continental como o Brasil, com as implicações que tem num continente como a América Latina, em termos sociais e políticos, dá uma tristeza que só mesmo a total reversão desse estado de coisas pode anular. 

Mas apesar dos risos dos espertalhões, começa essa mesma região do mundo a apresentar os primeiros sinais de turbulências a vista, que realmente levarão a uma mudança no poder. 


E pacífica, acreditem, não vai ser. 

Vellker – 16.12.07 – voltar para A_ÍNDICE GERAL 3

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  • Postado em 11:59:42