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Nosso país já não tem mais possibilidades de solução pacífica de suas contradições. Desde quando assumiram o governo em 1985, as lideranças civis, supostamente progressistas, revelaram-se ao longo desse período mais atrasadas, mais conservadoras e mais bárbaras do que as chamadas oligarquias entreguistas e imperialistas que diziam combater no período do regime militar. Na verdade esses auto-proclamados guerrilheiros da liberdade eram apenas oligarcas, entreguistas e imperialistas que tinham ficado do lado errado do cenário social e pior ainda, por conseqüência, fora da mesa do banquete político.
Só lutaram em alguns anos porque era uma cartada de pôquer, do tipo tudo ou nada, a única que tinham nas mãos. Poderia dar certo, poderiam assumir o poder. Não deu certo, mas no fim, acabaram ganhando polpudas indenizações vitalícias. Uma ressalva positiva aos militares: como admitiram depois em depoimentos, memórias e entrevistas a historiadores, vendo tudo pela ótica da segurança, cometeram erros e acima de tudo, perceberam depois que haviam sido a guarda armada das lideranças de direita daqueles tempos, que hoje falam em cidadania e direitos para o povo, dando tapinhas nas costas dos antigos adversários esquerdistas, que retribuem com cargos no governo que hoje comandam, tudo em nome da governabilidade. Entenda-se governabilidade como alicerce financeiro e político para o partido a que pertencem, às custas do povo que diziam defender em sua luta armada, o mesmo povo que em seu governo morre diariamente na porta dos hospitais públicos, fica sem escolas, sem segurança jurídica, entregue a uma violência crescente e sem esperanças.Os que estão hoje nas tribunas falando em honra, coragem e lealdade eram os mesmos que na época dos militares denunciavam para os serviços de repressão militar, de forma anônima, os companheiros de ideologia porém de movimentos diferentes, para verem seus rivais políticos eliminados.
E foram esses, que em bem sucedido movimento de oportunismo histórico se tornaram políticos, eleitos sob a promessa de novos tempos e também os mesmos que prosseguiram no dia a dia das redações, vistos sob a ótica de "perseguidos". Só escrevem livros como esse último, “Direito à Memória e à Verdade” como mais um passo para uma nova rodada de gordas indenizações. Para os amigos do poder, é claro.
E foi essa gente que assumindo o poder em 1985 criou as diretrizes do atual sistema político em que vivemos. Uma vez que agora existia a liberdade de ler, saber e conhecer, uma nova forma de censura foi erigida por eles: a destruição sistemática da capacidade de entender o que se podia ler, através de um sistema educacional tão falido que formou nesses 22 anos, cidadãos incapazes de conhecimento, crítica e exigência social e política, que não fosse o mero ato de votar mecanicamente. A disseminação da ignorância entre a população lhes deu enormes vantagens. Sem dúvida, isso se tornou o alicerce onde foi erigido o atual edifício político brasileiro. E onde pretendem mantê-lo, mas os recentes acontecimentos já mostram que isto será impossível.
Na forma mais acentuada de ignorância temos os políticos, ignorantes da ética e da decência a fazerem leis, que já vem assim contaminadas com esse seu modo de agir. Uma contaminação voluntária e premeditada, pois que essa lhes é lucrativa, em termos de oportunismo social e financeiro, pela leis que criam, que apenas garantem e afirmam privilégios obscenos contra a população, que ignorante de tudo, tudo aceita passivamente. Quando não aceita é reprimida no melhor estilo dos anos de chumbo, como gostam de falar, por aqueles que foram os coitadinhos dos perseguidos políticos, que hoje controlam o sistema de repressão policial. E o fazem contra pessoas desesperadas pela situação social, enquanto usufruem de milionárias indenizações vitalícias. Que melhor forma pode existir de roubar uma pessoa que esteja na rua? Uma que esteja desperta e atenta ou uma que esteja embriagada e inconsciente? Assim, promulgando diretrizes educacionais que reduziram a população a um estado de inanição e imobilidade intelectual, conseguem mais facilmente saqueá-la. São verdadeiras hienas.
Tudo isso, ao longo desses anos resultou no aumento da massa de ignorantes desesperados, perdidos, sem alternativas e que caíram no crime. E que por fim decidiram se organizar. Olhando a História recente em retrospecto, vemos que eles apenas copiaram seus criadores, citados acima.
Esqueçam as alternativas jurídicas que poderiam começar a reverter a situação. O meio jurídico está preocupado demais com seus privilégios. E acima de tudo em não só mantê-los como também aumentá-los. Querer segurança jurídica nessa situação é o mesmo que uma esperança perdida. Esqueçam a política que poderia colocar os bandidos disfarçados de políticos em seu devido lugar. Só se preocupam em conchavos para tramar a absolvição dos colegas de roubo. Pensar que agirão com coragem e honestidade é absurdo. Esqueçam os jornais que poderiam trazer novas idéias em lugar das mesmices escandalosas de sempre, onde se aponta um escândalo para ocultar outro, da mesma forma que os guerrilheiros entregavam seus camaradas para se salvarem na época da repressão. Os órgãos de imprensa de hoje se submetem de bom grado à censura de bilionárias empresas estrangeiras de comunicação que compraram seu controle acionário Não esperem imparcialidade deles.
Tem razão os militares ao não comparecerem à apresentação de um livro que os denigre e só conta um lado da História. Com isso, no ato, deram uma resposta à caricatura de ministro da Defesa, Nelson Jobim, que disse que não haveria reação ao livro e que quem reagisse teria resposta. Houve reação sim, quando os generais comandantes não responderam ao convite, não foram à solenidade e não disseram porque não foram. E esse ministro não ordenou que viessem, nem que fossem trazidos então ao evento. Limitou-se, calado, tão somente a reconhecer o poder explícito da união das Forças Armadas nesse protesto, poder esse que foi mostrado também à sociedade civil, que hoje clama pela proteção de que precisa, já que os três poderes constituídos tornaram-se poderes prostituídos e ela não tem mais a quem recorrer em sua defesa.
Tem razão os militares quando fazem uma nota de repúdio contra esse livro como o fizeram no dia 31 de agosto. E acredito que escolheram justo esse dia como uma mensagem velada, a relembrar por essa data o significado do dia 31 na nossa história política. Já são cada vez maiores os reclamos por uma intervenção militar no atual cenário social no qual a população brasileira sobrevive a duras penas, submetida a um poder legislativo apodrecido de corrupção, sofrendo sob o arbítrio de um poder judiciário que só dá direitos a ele mesmo, sob as vistas de um executivo que a tudo assiste conivente, em nome da governabilidade, que lhe é vantajosa.
Já é chegado o tempo para que os militares, sem receios, manifestem abertamente sua constatação de que a nação brasileira tem que ser protegida dos ataques dessa pirataria política e judiciária que sofre hoje. É só o que a população espera, um claro sinal de suas opiniões, de forma inequívoca, para aí sim os apoiarem sem ressalvas.
Como brasileiros, vivemos ao longo desse último período, esperanças frustradas e fomos completamente iludidos pelas chamadas oligarquias políticas, que se dividem em direita e esquerda, mas no fundo sempre foram isso: oligarquias. Falharam essas lideranças civis ao longo desses 22 anos. E falharam na condução de uma diretriz política decente porque isso lhes foi lucrativo. Falhou o sistema judiciário ao se cobrir de privilégios obscenos, chamando de prerrogativas tudo o que lhe dava comodidades e vantagens. Falhou ao longo desse tempo todo o poder executivo porque tudo isso que acontecia lhe era conveniente.
Há um momento na vida de uma nação em que de tão desprotegida e saqueada pelos poderes que deveriam protegê-la, ela só tem um poder a quem recorrer e que também, mais do que os outros, vive em seu meio e faz parte dela: o poder militar.
Vellker - 07.09.07 - voltar para A_ÍNDICE GERAL 3
Último dia desse memorável mês...
Mais uma vez, o mês de agosto confirma sua marca na história do Brasil. No dia 29, em solenidade em Brasília, o presidente Lula, acompanhado da ministra chefe da Casa Civil Dilma Roussef e do ministro da Defesa Nelson Jobim, lançou o livro “Direito à Memória e à Verdade”, um levantamento sobre os desaparecidos na época do regime militar.
Não faltaram as frases de efeito, dizendo que hoje tudo vai bem, que hoje tudo é melhor, que a cidadania impera, que a democracia vive e que ninguém quer o regime militar de volta, como asseverou o dirigente da Secretaria Nacional de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi.
Resta saber a que tipo de ninguém ele se refere. Se esse ninguém for político ou membro do judiciário, não vai querer mesmo, pois aí acaba a bagunça. Juizes e políticos corruptos vão para a cadeia, promotores que fuzilam pessoas na rua terminarão presos no ato e por aí se vê a que tipo de ninguém o secretário se reporta e obedece. Ninguém que queira perder as obscenas mordomias, prerrogativas e impunidade de que gozam hoje, notadamente os políticos e membros do judiciário. O executivo que a tudo assiste passivo e conivente, em nome da governabilidade, entenda-se isso como alicerçar as bases financeiras e políticas para o seu partido, sem ideologia nenhuma, está na mesma situação.
Pior ainda foi o acinte de terem relatado no livro, tamanhas crueldades cometidas pelos militares na época do regime militar, que vão desde estupros até esquartejamento de corpos, passando por decapitações e execuções sumárias, relatados de tal forma que qualquer leitor verá os quartéis dessa época como nada mais do que matadouros de animais. Relatam o impressionante número de 400 desaparecidos políticos, com as mais variadas testemunhas. Parece tudo nebuloso.
O ministro Nelson Jobim, querendo mostrar autoridade como ministro da Defesa, disse que não haverá reação dos militares a esse livro, que nenhum militar ou cidadão o desautorizará e quem tentar alguma coisa terá a resposta imediata. Isso deve ser o conceito dele de liberdade de expressão. Pobre ministro Nelson Jobim, deveria ter olhado melhor ao seu redor na solenidade. Ou talvez o tenha feito e saiu-se com essa.
A reação dos militares já estava ali na frente dele, na solenidade, quando os generais comandantes das Forças Armadas, convidados para o evento não compareceram, não mandaram representantes e nem deram resposta alguma porque não foram. E ponto final. E por acaso o ministro Jobim ordenou que viessem até a solenidade? Mandou que fossem trazidos até ali? Não. Nelson Jobim é apenas Nelson Jobim e por isso não fez nada disso.
É bom para ordenar e desordenar, mandar e desmandar com quem pode menos. E depois do recente episódio em que os soldados da Força Aérea Brasileira, com as armas prontas para o confronto, barraram os promotores do Ministério Público Federal que queriam entrar nas dependências da corporação junto com a Polícia Federal, com a habitual pose de “otoridades” que mandam prender todo mundo e não só não prenderam como tiveram que ficar do lado de fora dos limites da FAB, o ministro, um hábil articulador político e bajulador de poderes maiores, conformou-se com as frases de efeito para os jornalistas no lançamento do livro. A ministra chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, já prevendo desdobramentos futuros, limitou-se a frases protocolares, preparando-se para os tempos politicamente tormentosos que virão pela frente, para então poder dizer que não disse nada.
Os jornalistas, presentes ao encontro e ecoando as palavras das autoridades presentes, entoaram cânticos sobre a democracia e a cidadania. Pobre classe de jornalistas brasileiros, que desceu tão baixo na bajulação aos poderosos, tendo hoje como exemplos de esperteza e de se dar bem na vida, colegas como Carlos Heitor Cony, que alegando perseguições na época do regime militar, abocanhou uma indenização de 1 milhão de reais, mais uma pensão mensal de 19 mil reais. E como Elio Gaspari, que há pouco tempo escreveu um livro, “A Ditadura Envergonhada” talvez porque lhe fosse embaraçoso escrever algum livro chamado “A Democracia Envergonhada”, que o deixaria mal visto no Palácio do Planalto. Melhor falar mal de quem não está mais no poder. Sabe como é, o Cony se deu bem, quem sabe eu...e assim vai pensando a massa de jornalistas de forma absolutamente vergonhosa nos dias de hoje.
Nem chega mais a causar espanto a parcialidade dos autores desse livro, um dos motivos que segundo militares ouvidos por jornalistas que ainda tem bom senso e coragem, causou indignação entre as Forças Armadas, exatamente por contarem só um lado da história, submetendo os militares a um júri informal onde eles são praticamente réus à revelia. Os militares agora passaram a encarnar o dragão da maldade, os tempos em que dirigiram a nação foram os piores, tudo era ruim, tudo era horror em seus tempos. Hoje tudo é democracia, cidadania e felicidade.
Pode haver mais felicidade do que massacres como de Vigário Geral, de Nova Iguaçú e dos Sem-Terra em Corumbiara? De quase um mês seguido de tiroteios nas favelas do Rio de Janeiro, coisa que lembra mais a ofensiva do Tet na guerra do Vietnã? Do cidadão andar pelas ruas sendo assaltado, seqüestrado e morto por um celular ou um par de tênis? De serem criados centros de distribuição de seringas para viciados, enquanto um deputado discursa a favor da liberação de drogas para livre consumo nas ruas? Isso sim é felicidade.
Pode haver mais cidadania do que pacientes morrendo às dezenas literalmente, na porta de hospitais públicos, enquanto os políticos de Minas Gerais votam foro privilegiado para eles mesmos e ainda riem dizendo que se o judiciário pode ter isso, porque eles também não podem? Aposentados com seus direitos praticamente revogados e sonegados por burocratas nomeados por apadrinhamento de políticos, querendo tão somente roubar o que puderem e depois, no caso de serem pegos, serem julgados por um judiciário incapaz de puni-los? Isso sim é cidadania.
Pode haver mais democracia do que uma imprensa livre? Um imprensa livre para bajular, procurar vantagens, mentir, atacar não o que deve ser atacado, mas apenas os políticos que lhe são desafetos? E mais ainda, uma imprensa que ao mesmo tempo em que critica a presença do Estado, recebe total isenção de impostos do papel que compra para imprimir suas notícias, enquanto jornalistas fazem pressão no congresso nacional para verem aprovada a lei que garante suas aposentadorias com apenas 25 anos de trabalho? Isso sim é democracia.
Todas a instituições que deveriam defender o Brasil e seu povo, hoje os atacam, porque isso lhes é lucrativo e nada tem de arriscado. Na verdade é bom que esse livro tenha sido lançado com alarde. As Forças Armadas foram mesmo ofendidas e mais do que isso, o lançamento tão alardeado dessa obra foi apenas um teste.
Um teste em que esse sistema político e judiciário que oprime e saqueia nossa nação quer medir a reação dos militares. Se for passiva e obediente, eles poderão ter a certeza de que o pensamento militar também está tão domesticado, tão incapaz de se levantar numa ideologia de defesa do povo e da nação brasileira, que aí sim, esse criminoso sistema que hoje infelicita o Brasil não terá mais limites para seus saques e brutalidades.
É chegado o tempo dos militares, de forma clara e aberta expressarem entre si e entre os membros da sociedade civil, a convicção de que não aceitam mais essa casta política e jurídica que hoje vive às custas do sangue do povo brasileiro.
É chegado o tempo de uma ruptura, seja por que meios forem necessários, contra isso que está aí, um sistema de pirataria política e judiciária que tem que ser derrubado.
Vellker - 31.08.07 - voltar para A_ÍNDICE GERAL 3