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Brasil, campos de concentração, pacientes e cobaias...
Quem lê alguma coisa sobre a História da 2a. Guerra Mundial, quase sempre encontra em capítulo à parte, a história de Joseph Mengele, médico, integrante da SS e que efetuou experiências em prisioneiros de campos de concentração. Baseado nas teorias raciais do nazismo, Mengele efetuava experiências que iam desde a injeção de corante azul nos olhos de crianças, testes de hipotermia, onde prisioneiros eram congelados lentamente em tanques de água gelada e suas reações anotadas até a morte e operações em adultos e crianças, usados como cobaias. Invariavelmente suas vítimas sofriam uma agonia intensa e quase sempre morriam.
Nas proporções devidas, pode-se dizer que Joseph Mengele, se não deixou seguidores na Alemanha, de forma jamais esperada tem seus discípulos aqui no Brasil, onde uma nação inteira se vê exposta aos azares de amanhã ou depois, adoecida, entrar numa fila de espera de transplante de órgãos para depois descobrir que foi passada para trás, em favor de afilhados políticos ou de doentes que puderam pagar um razoável suborno para pularem da 32a. para a 1a. posição na fila de transplantes. Quem ficou para trás, geralmente confiando em certos médicos, ficou para sofrer uma agonia horrível até a morte. E acreditava que ia ser salvo.
A diferença que existe entre o médico assassino Joseph Mengele e seus seguidores do Brasil é que nos campos de concentração os prisioneiros escolhidos por ele sabiam que sofrimentos horríveis e a morte os esperavam e os pacientes dos médicos assassinos do Brasil acreditavam que seus supostos salvadores zelavam pela sua saúde e pela sua vida. Hoje, com a revelação do esquema de fraudes na fila de transplantes de fígado do Rio de Janeiro, vemos que apesar de ser um médico monstro, Joseph Mengele tinha até uma certa superioridade sobre seus discípulos do Brasil. Ele fazia o que fazia por acreditar na ideologia nazista. Os médicos denunciados no caso brasileiro faziam o que faziam por dinheiro e vantagens políticas. Sem dúvida, na classificação de monstruosidade, Mengele perde para esses médicos desmascarados aqui no Brasil. Pelo menos, quando ele chegava no campo de concentração, todos sabiam para o que ele tinha vindo.
Só quem já viu a agonia e o sofrimento de uma pessoa que não tem mais os rins funcionando direito, que já sofreu uma grave lesão no fígado, que se arrasta sem forças por problemas no coração ou nos pulmões e que está a espera de um doador na fila de transplantes, sabe como esse crime que foi cometido aqui é terrível, o quanto é imperdoável e como deveria ser exemplarmente punido.
Mas já sabemos o que vai acontecer aqui no Brasil com esses que foram denunciados na Operação Fura-Fila, levada a cabo pela Polícia Federal no Rio de Janeiro. Apesar do crime que cometeram, os denunciados irão para uma “cadeinha especial”, afinal, com diploma de curso superior poderão dizer que não sabiam o que estavam fazendo. Logo depois responderão a um “processinho”, pois com seus amigos políticos e dezenas de recursos que poderão interpor, nenhuma acusação chegará a lugar nenhum. Isso na parte judiciária. Na parte relativa ao Conselho de Medicina, responderão a um “inqueritozinho” e tudo se perderá em intermináveis reuniões de perguntas e respostas que também darão em nada. Amigo é para essas coisas, já dizia um cantor.
O mais aterrador é imaginar os momentos em que doentes esperançosos receberam as visitas desses médicos, que afinal tinham que fazer exames para saber quantos ainda estavam na frente dos seus amigos políticos e quando não deles, dos seus corruptores, que mesmo estando em último lugar na fila, estavam em primeiro lugar na conta bancária.

Enquanto isso, doentes, vendo o “bom doutor” saindo do quarto, abraçavam-se com seus familiares, todos com lágrimas nos olhos crentes que afinal seu sofrimento teria fim, agradecendo a Deus por estarem assistidos por um médico tão bom. O mesmo médico que ao chegar em sua sala, já informava a situação dos pacientes, já dizia quantos deveriam ser passados para trás e quanto isso ia custar e ponto final.

Joseph Mengele fugiu no final da guerra e não respondeu por seus crimes. Morreu afogado numa praia paulista na década de 70, como pode acontecer com qualquer um. Preferiu viver no Brasil e conseguiu ocultar-se por aqui com sucesso, até sua morte. É de se acreditar que como médico tenha visitado algumas faculdades para matar saudades, dizendo-se talvez algum curioso, interessado em Medicina. E podemos acreditar também que Joseph Mengele, vendo a estrutura judiciária e dos conselhos de medicina em seus processos e inquéritos por aqui, tenha chegado à conclusão de que, se tivesse sido preso e julgado por um sistema desses, mesmo com tudo o que fez durante a guerra, teria ainda assim, direito a uma prisão especial.
Quem sabe se não foi por isso que preferiu viver aqui até o fim da vida.
Matérias a verificar:
Médicos presos por fraudar fila de transplantes
Médicos pedem habeas corpus
Vellker – 01.08.08 – voltar para A_ÍNDICE GERAL 3
África, caçadas, troféus e entrepostos comerciais...
Com a chegada de Salvatore Cacciola ao Brasil, mais uma vez, nós brasileiros caímos em vergonha frente a nós mesmos e aos jornalistas do mundo todo. É pouco animador, para não dizer desesperador o fato de que o juiz do STJ, Humberto Gomes de Barros, concedeu a um homem que lesou a nação brasileira em mais de 1 bilhão de dólares, a garantia de não ser algemado ao pisar exatamente no solo da nação que ele roubou e onde foi condenado a 13 anos de prisão à revelia, por ter se aproveitado de um Habeas Corpus e fugido no ano 2000, depois da fraude no Banco Marka. Ainda mais quando feitas as contas com juros e correção monetária, o Brasil foi roubado em mais ou menos 5 bilhões de dólares.
No entanto, no caso da justiça brasileira, juros e correção monetária, fazendo uma comparação, para esses criminosos que não só roubam bilhões de dólares como sabem o nome de todos os envolvidos que ainda não apareceram, as contas para a aplicação de penas e agravantes para eles tem uma contagem de juros que é calculada para menos, ou seja, quanto mais tempo passado foragido, com mais regalias e vantagens são tratados. Na chegada no aeroporto, dava para ver no sorriso de Salvatore Cacciola a certeza de que desembarcar preso no Brasil é apenas um mero contratempo, a decisão do juiz Humberto já mostra isso. Ele já deve estar pensando em quando será seu retorno para a Itália e deve ter retirado Mônaco em definitivo da sua lista de viagens.
Enquanto suporta apenas para fazer teatro o passageiro aborrecimento de estar numa cela especial, paga pelo contribuinte brasileiro com o dinheiro que ele mesmo roubou, talvez na cela haja algum jornal velho, onde ele possa ler sobre a mulher que furtou um pote de manteiga de 3 reais e por isso passou 5 meses na cadeia, até que foi libertada. Sem dúvida o sorriso de Cacciola deve se abrir novamente por se saber mais do que nunca um privilegiado e amigo dos privilegiados. Rouba o Brasil em 1 bilhão de dólares e no fim se sai bem, a perigosíssima mulher rouba 3 reais e termina presa por por 5 meses. Se for para seguir o ritual de uma justiça que considera uma brasileira que rouba um pote de manteiga de 3 reais merecedora de prisão sem recurso por 5 meses, a que pena sem recurso deveria ter sido condenado um estrangeiro que cometeu uma fraude de 5 bilhões de dólares em nosso país?
Triste realidade do nosso país, das nossas cortes judiciárias, hoje transformadas em meros entrepostos comerciais, onde desaba por completo a farsa da constituição de 1988, que aliás foi criada pelos privilegiados de Brasília para consolidar de forma definitiva seus obscenos privilégios, extensivos ao seleto grupo de amigos, mas de forma alguma para fazer justiça ou ser de fato uma constituição, com toda a dignidade que esse nome nos traz. Sendo aliás uma negociata de privilégios com a qual o velho vigarista eleitoral Ulysses Guimarães pretendia alavancar suas pretensões à presidência da república, ela torna-se hoje uma espécie de manual desses modernos entrepostos comerciais jurídicos, na exata semelhança dos que existiam em países colonizados, como o Congo Belga, onde sob as ordens do rei Leopoldo os belgas tinham privilégios absolutos sobre a imensa massa de africanos colonizados.
Como outro triste exemplo dessa situação, temos a história do domínio colonial inglês na Índia, onde mandava o vice-rei britânico Lorde Curzon, editando leis da colonização britânica, que distinguia claramente os indianos dos britânicos, sendo que estes literalmente mandavam nos tribunais indianos, arrancando deles as decisões que mais lhes agradavam. Os dominadores britânicos eram cidadãos acima das leis, feitas para eles e somente em seu benefício.
Hoje Salvatore Cacciola, no seu passeio pelo Brasil, enfrenta apenas um contratempo. Na semelhança de algum europeu do século passado que passa por alguma febre passageira e inesperada em algum animado safári nas savanas africanas, poderá em breve o caçador Cacciola, de volta para sua casa na Itália, mostrar para seus amigos em sua casa, a cabeça da justiça brasileira, devidamente empalhada, como um exótico tapete da sua sala de troféus.
Admirados seus amigos perguntarão se ele não teve medo do tigre. Ele dirá que desse daqui não, mas o tigre de Mônaco, esse morde mesmo, aliás por lá, ele dirá que nunca mais volta. Prefere caçar mesmo o tigre brasileiro.
Matérias a verificar:
Salvatore Cacciola volta sem algemas
Mulher furta pote de manteiga e vai presa
Vellker - 21.07.08 - voltar para A_ÍNDICE GERAL 3
Terminando a compilação...
http://mordaz.blog.terra.com.br - Dedicado a comentar com visão crítica aspectos das religiões em nosso tempo e também sobre medicina alternativa, em especial as que se propõem a certas curas milagrosas, nem sempre tão milagrosas assim.
http://atmosphera1.zip.net - Comenta filmes, faz resenhas de roteiros diversos e também inclui alguns quadrinhos de criação própria. A parte de filmes é bem comentada, incluindo filmes antigos e os que foram lançados recentemente.
http://kontrastes.org - Criado por um biloguista português é interessante de ler, pelos seus comentários que mostram certas semelhanças doloridas na vida brasileira com a vida portuguesa, nos aspectos políticos e judiciário, onde os problemas são praticamente idênticos.
Vellker - 17.07.08 - voltar para A_ÍNDICE GERAL 3
Idéias, escritos e amigos...
Apesar da intensidade dos acontecimentos políticos dos últimos dias, abro um pequeno intervalo para apresentar as páginas de amigos e organizações que tem apresentado bons textos e reportagens nos temas que escolhem. Recomendo aos leitores que sem vem aqui que visitem sempre os espaços citados abaixo:
http://melisi.blog.terra.com.br - Espaço de uma escritora nascente. Uma mulher que tem a capacidade de recortar fragmentos do dia e coloca-los em palavras, retratando momentos bons e difíceis da vida, do dia a dia, que vale a visita para ler e meditar. Nem sempre é tão fácil colocar tudo em palavras e junto encontrar as imagens para ilustrar os sentimentos, mas ela consegue isso e muito bem.
http://promotordejustica.blogspot.com.br - Um bom exemplo de que nem tudo está perdido no meio judiciário. Apesar das tristezas e desilusões que temos tido, aqui aparece um espaço que com seus textos e artigos mostra que a noção de correção e decência está presente em muitos juristas com idealismo e capacidade de discernimento.
http://papeisavulsos.blog.terra.com.br - Um desmentido concreto da anacrônica idéia de que só deve ser jornalista quem tem diploma, o que tem resultado em nosso país na criação de um imenso reservatório de mediocridades. Poucos escapam. Entre eles está Dark Night Hunter, que é ao mesmo tempo cronista, comentarista e ainda por cima cartunista.
http://administrando.wordpress.com - Para os que gostam de artigos sobre o dia a dia da vida administrativa e descrição dos casos diversos que um administrador encontra não só em sua empresa, como também até mesmo como cliente ou observador do que ocorre numa loja ou grande empresa, vale a pena conhecer e aprender com os textos bem escritos.
http://www.conjur.com.br - Página especializada em assuntos do meio jurídico e suas repercussões na política, com espaço aberto para os comentários dos leitores. Aconselho para que vejam notícias das mais interessantes e possam deixar seus comentários e idéias também por lá.
http://www.espacovital.com.br - Outra página especializada em assuntos do meio jurídico, destacando a opinião de profissionais do meio em seus artigos, com notícias também do meio político e análises das repercussões dos mesmos. Traz também uma coletânea interessante de pérolas e casos do meio jurídico.
http://www.observatoriodaimprensa.com.br - Um espaço que quem gosta de jornalismo, política e bastidores dos dois temas se misturando não deve deixar de ver. Com notícias que muitos jornalistas e editores gostariam de ver apagadas, deve ser lido.
Agradeço aos leitores que visitam esse espaço e recomendo para quem ainda não criou seu espaço para expor idéias e imagens sobre os temas que gosta, que faça isso, que experimente. Além de gratificante, acabamos conhecendo bons amigos, que como nós gostam de escrever e comentar as coisas da vida.
Vellker - 17.07.08 - voltar para A_ÍNDICE GERAL 3
Cantar com a coragem, caminhar com a Justiça...
Após uma semana tormentosa, onde finalmente num caso de grande repercussão vimos o quanto a injustiça e a desonra hoje atormentam a sociedade brasileira, mais ainda nas grandes decisões judiciais, meditando sobre todos esses fatos me lembrei da canção de Geraldo Vandré, “Prá não dizer que não falei das flores” que foi escrita em 1968.

Escrita há tanto tempo, apesar de ser apenas o cantar de um poeta, expressou sentimentos sufocados. Revi sua letra e sob a luz de tudo o que aconteceu nesses dias de julho de 2008, reescrevi algumas palavras. Peço perdão ao poeta, mas em tempos difíceis, reescrita em protesto contra a aura de uma falsa liberdade e de uma democracia de hipocrisias, a palavra muitas vezes mostra o que sentimos e o que vivemos. As alterações que descrevem os tempo que hoje vivemos ou melhor sofremos, estão sublinhadas. Assim deixo a canção reescrita aqui:
Prá não dizer que não falei das flores
(Reescrita em 11.07.08)
Caminhando e cantando E seguindo a canção
Somos todos iguais Braços dados ou não
Nas escolas, nas ruas Campos, construções
Caminhando e cantando E seguindo a canção...
Vem, vamos embora Que mentir não é viver
Quem sabe faz justiça Não espera acontecer...
Pelos tribunais há injustiça em tristes decisões
Pelas ruas marchando sofridos corações
Ainda fazem da justiça Seu mais forte refrão
E acreditam na Verdade Vencendo a desilusão...
Vem, vamos embora Que mentir não é viver
Quem sabe faz justiça Não espera acontecer...
Há juízes envergonhados Amados ou não
Quase todos perdidos De almas na mão
Nas escolas lhes ensinam Uma antiga lição:
De vencer pela mentira e julgar sem razão...
Vem, vamos embora Que mentir não é viver
Quem sabe faz justiça Não espera acontecer...
Nas escolas, nas ruas Campos, construções
Somos todos juízes Corajosos ou não
Caminhando e cantando E seguindo a Razão
Somos todos iguais Braços dados ou não...
A verdade na mente A Justiça no coração
A certeza na frente A história na mão
Caminhando e cantando E seguindo a Razão
Aprendendo e ensinando Uma nova lição...
Vem, vamos embora Que mentir não é viver
Quem sabe faz justiça Não espera acontecer...
Cada tempo tem seus juízos, suas imagens. Vivemos esses de tristes juízos e pobres imagens.
Mas a nossa capacidade de indignação pode trazer tempos melhores.
Matérias a verificar:
O caso Daniel Dantas
Prá não dizer que não falei das flores
Vellker - 14.07.08 - voltar para A_ÍNDICE GERAL 3